sexta-feira, 15 de maio de 2026

Pirata...e a Dutra

 


Amigos da Pirataria Alada ... meu cordial Bom dia ... e Boa viagem

Hoje num dia chuvoso que não recomenda uma caminhada meditativa praiana , resolvi fazer meditação da minha janela mesmo , observando a praia sem sol . 

Ontem fiz uma visita a Sampa (cidade de São Paulo para os íntimos ) revivendo muitas recordações , ao passar pelo Campo de Marte ,

pela centenaria Estação da Luz ( que foi terminal ferroviário ) e o terminal rodoviário nos anos 60/70.

Essa visita paulistana de ontem , me incentivou a contar esta história que pode até explicar como um “paulistano nato se torna um Pirata Alado.

A via Dutra (oficialmente , hoje conhecida como trecho da BR-116) que liga São Paulo e Rio de Janeiro , assim é descrita na internet :

Inauguração (1951): Foi uma das primeiras rodovias totalmente asfaltadas do país, inaugurada na gestão de Getúlio Vargas, mas nomeada em homenagem ao presidente Eurico Gaspar Dutra.

Duplicação (1967): A rodovia foi totalmente duplicada na década de 1960, finalizada em 1967, durante o regime militar, tornando-se fundamental para a integração econômica.

Concessão (1996): Em março de 1996, a CCR NovaDutra assumiu a administração da via, modernizando-a após um período de deterioração.

Impacto Econômico: Atravessa 36 municípios, incluindo o Vale do Paraíba, servindo como a principal artéria logística do país e impactando mais de 23 milhões de pessoas.

Nova Concessão: Atualmente, a rodovia passa por novas melhorias para modernização e aumento da segurança.(atrasada há pelo menos 30 anos)


Pois então , a Dutra uniu de forma rodoviária paulistas e cariocas de fato, a tal ponto que , um “caipira paulista” militar de aviação da Segunda Grande Guerra e uma professora “carioca da gema “, se conheceram num baile do Tijuca Tenis Clube no Rio de Janeiro . Essa união produziu em 1954 o projeto do que viria a se tornar o “Pirata Alado”.

Nascido (e residente ) no Campo de Marte , próximo ao Terminal Rodo ferroviário da Luz , a família meio carioca e meio paulista , fazia uso tanto de ônibus da Viação Cometa , quanto dos trens conhecidos como “ Trem de Prata “ para as visitas familiares , nos dois extremos da Dutra.

A criança , produto de influencias “mistas” daquele casal , admirava as “fardas” dos condutores daquelas máquinas , fosse trem ou ônibus , que rodavam nos trajetos semelhantes pelos vales do Rio Paraíba , com paisagens deslumbrantes , fossem Serras altíssimas ( Itatiaia ) ou fazendas coloniais de café que produziam a principal riqueza do grande País ( o café).

 Por vezes pegava caronas nos aviões da FAB partindo do Campo de Marte com destino , principalmente ao aeroporto Santos Dumont , quando eu ficava deslumbrado com a vizinha Escola de Piratas instalada , na ilha forte que homenageia o Corsário invasor Villegagnon. 


 Eu adorava as máquinas e as fardas dos diversos condutores . A farda que eu mais gostava era as dos condutores do ônibus “ morubixaba da Cometa “, que era azul ( a minha cor predileta , tanto do céu quanto do mar ).


A dos condutores dos aviões da FAB , era bege (na época ) . 

Dos trens de prata eu não via , porque eles ficavam longes do meu visual . Quando os “morubixabas” se cruzavam na Dutra (mão dupla ) piscavam os faróis , tocavam a buzina e faziam sinais codificados com as mãos , indicando as condições da estrada . Eu ficava maravilhado e pensava :

 - É isso que quero ser ... quando crescer !

Quando a farda da FAB mudou a cor para Azul ... mudei de opinião quanto o meu futuro de “condutor de máquinas “ . 

Troquei o Ônibus por Aviões . Hoje , creio que foi uma boa ideia , na época .🤔

Voltando a minha última visita a Sampa , convidei o querido casal de amigos (Sandra e Marcelo) a nos acompanharem ( Sereia & Pirata ) para degustarem , a pizza de muçarela mais deliciosa de Sampa , acompanhada de uma salada da casa “única” na Pizzaria “centenária” ao lado da igreja matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó , no alto do morro da Freguesia do Ó, com visual deslumbrante de Sampa . 


A pizzaria do Bruno (amigo do meu pai ) que frequentávamos aos domingos desde minha infância . Foi um almoço sentimentalmente e de fato “delicioso “ socialmente ,visualmente e saudosamente.

Havíamos antes comparecido ao prédio do 8° Distrito Naval , para confecção da nova identidade de Marinha , para atualizar a minha “ promoção” de Reserva Remunerada para Reformado . 


Foi outra visita emotiva pra mim porque foi naquele prédio , além de inaugurar o heliponto , com meu Super Lynx , me despedi da vida ativa na Marinha em cerimônia no Salão Nobre . Foi uma agradável visita ao 8°DN .

No retorno a Santos , cruzamos de carro a minha enorme cidade natal , e seu intenso e organizado , porém vagaroso, trânsito paulistano . 


Os “engarrafamentos”, me permitiram desfrutar da exposição artística a céu aberto dos painéis pintados nas estruturas de muitos prédios , como hoje tem sido adotado em muitas grandes cidades do mundo . Sampa não fica atras de outras em termos de quantidade e qualidade artística dessa nova pratica .


- ... mas Pirata , o que tudo isso tem a ver com o Pirata e a Dutra ?

- Ora tem tudo a ver ... Urrra Mêu !


Os primeiros Piratas/Corsários que invadiram o Brasil (de acordo com o livro “Piratas no Brasil” ) a área preferencial para tais invasões (entre outras ) , eram as “águas abrigadas da nossa costa “ como a Baía da Guanabara e da Baía de Santos. Desembarcados em qualquer uma das duas , expandiam suas apreensões e roubos por vias terrestres , utilizando “trilhas” do planalto do vale do Rio Paraíba que uniam a riqueza produzida por paulistas ao Poder do Império dos cariocas , no mesmo trajeto do traçado onde rolam as máquinas terrestres da trilha hoje conhecida como Via Dutra.


Se os Piratas daquela época já usavam a Dutra , por que este Pirata novo não pode contar estórias novas sobre a mesma trilha velha ?


Dito isso , desde 1971 , passei a utilizar a Dutra , conduzindo uma máquina vestindo uma farda azul , de acordo com minha pretensão infantil . A máquina era um Fuscão azul marinho . A farda era Azul do Jaquetão da Marinha . O destino era a primeira escola de Piratas , o Colégio Naval em Angra dos Reis ( naquela época não existia a Santos – Rio , alternativa de acesso rodoviário a Angra dos Reis ). Em 1998 , ainda continuava conduzindo máquinas pela Dutra para visitar o filhão Pirata de farda azul , cursando o ITA em São José dos Campos .


Imaginem só .... se não existisse a Dutra. O Pirata Alado ... nem existiria !

CQD

 ( como diriam os matemáticos antigos )

Aos caríssimos leitores ... um fraterno abraço agradecendo pela leitura do vosso ...

Pirata Alado



4 comentários:

  1. Memórias gravadas na nossa consciência equivalem ao disco de ouro da Voyager; vagarão pelo espaço eternamente. Pralon

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    1. Caríssimo Pirata ATACante Pralon.
      Obrigado pelo comentário.
      Você está certíssimo. Esse disco de ouro da Voyager consciência...está sempre disponível para ser acessado.
      Boas lembranças...são sempre boas ...as más...devem ser deletadas.
      Se cuida meu amigo.
      Fraterno abraço

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  2. Sensacional. Você é um excelente escritor! 👏🏻👏🏻👏🏻

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    1. Querida " Anônima " .
      Obrigado pelo comentário elogioso.🙏 ( coisa de amigos de infância).
      Escritor ... ? ...é demais !
      Só sou um Pirata blogueiro que se diverte falando de deliciosas memórias que tive o privilégio de viver.
      Valeu minha querida amiga " Anônima "
      Beijo carinhoso do Pirata

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Estou tentando regularizar "os comentários postados"
Solicito que os comentários tenham identificação no próprio texto.
Obrigado.👍👍
Pirata Alado