sexta-feira, 15 de maio de 2026

Pirata...e a Dutra

 


Amigos da Pirataria Alada ... meu cordial Bom dia ... e Boa viagem

Hoje num dia chuvoso que não recomenda uma caminhada meditativa praiana , resolvi fazer meditação da minha janela mesmo , observando a praia sem sol . 

Ontem fiz uma visita a Sampa (cidade de São Paulo para os íntimos ) revivendo muitas recordações , ao passar pelo Campo de Marte ,

pela centenaria Estação da Luz ( que foi terminal ferroviário ) e o terminal rodoviário nos anos 60/70.

Essa visita paulistana de ontem , me incentivou a contar esta história que pode até explicar como um “paulistano nato se torna um Pirata Alado.

A via Dutra (oficialmente , hoje conhecida como trecho da BR-116) que liga São Paulo e Rio de Janeiro , assim é descrita na internet :

Inauguração (1951): Foi uma das primeiras rodovias totalmente asfaltadas do país, inaugurada na gestão de Getúlio Vargas, mas nomeada em homenagem ao presidente Eurico Gaspar Dutra.

Duplicação (1967): A rodovia foi totalmente duplicada na década de 1960, finalizada em 1967, durante o regime militar, tornando-se fundamental para a integração econômica.

Concessão (1996): Em março de 1996, a CCR NovaDutra assumiu a administração da via, modernizando-a após um período de deterioração.

Impacto Econômico: Atravessa 36 municípios, incluindo o Vale do Paraíba, servindo como a principal artéria logística do país e impactando mais de 23 milhões de pessoas.

Nova Concessão: Atualmente, a rodovia passa por novas melhorias para modernização e aumento da segurança.(atrasada há pelo menos 30 anos)


Pois então , a Dutra uniu de forma rodoviária paulistas e cariocas de fato, a tal ponto que , um “caipira paulista” militar de aviação da Segunda Grande Guerra e uma professora “carioca da gema “, se conheceram num baile do Tijuca Tenis Clube no Rio de Janeiro . Essa união produziu em 1954 o projeto do que viria a se tornar o “Pirata Alado”.

Nascido (e residente ) no Campo de Marte , próximo ao Terminal Rodo ferroviário da Luz , a família meio carioca e meio paulista , fazia uso tanto de ônibus da Viação Cometa , quanto dos trens conhecidos como “ Trem de Prata “ para as visitas familiares , nos dois extremos da Dutra.

A criança , produto de influencias “mistas” daquele casal , admirava as “fardas” dos condutores daquelas máquinas , fosse trem ou ônibus , que rodavam nos trajetos semelhantes pelos vales do Rio Paraíba , com paisagens deslumbrantes , fossem Serras altíssimas ( Itatiaia ) ou fazendas coloniais de café que produziam a principal riqueza do grande País ( o café).

 Por vezes pegava caronas nos aviões da FAB partindo do Campo de Marte com destino , principalmente ao aeroporto Santos Dumont , quando eu ficava deslumbrado com a vizinha Escola de Piratas instalada , na ilha forte que homenageia o Corsário invasor Villegagnon. 


 Eu adorava as máquinas e as fardas dos diversos condutores . A farda que eu mais gostava era as dos condutores do ônibus “ morubixaba da Cometa “, que era azul ( a minha cor predileta , tanto do céu quanto do mar ).


A dos condutores dos aviões da FAB , era bege (na época ) . 

Dos trens de prata eu não via , porque eles ficavam longes do meu visual . Quando os “morubixabas” se cruzavam na Dutra (mão dupla ) piscavam os faróis , tocavam a buzina e faziam sinais codificados com as mãos , indicando as condições da estrada . Eu ficava maravilhado e pensava :

 - É isso que quero ser ... quando crescer !

Quando a farda da FAB mudou a cor para Azul ... mudei de opinião quanto o meu futuro de “condutor de máquinas “ . 

Troquei o Ônibus por Aviões . Hoje , creio que foi uma boa ideia , na época .🤔

Voltando a minha última visita a Sampa , convidei o querido casal de amigos (Sandra e Marcelo) a nos acompanharem ( Sereia & Pirata ) para degustarem , a pizza de muçarela mais deliciosa de Sampa , acompanhada de uma salada da casa “única” na Pizzaria “centenária” ao lado da igreja matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó , no alto do morro da Freguesia do Ó, com visual deslumbrante de Sampa . 


A pizzaria do Bruno (amigo do meu pai ) que frequentávamos aos domingos desde minha infância . Foi um almoço sentimentalmente e de fato “delicioso “ socialmente ,visualmente e saudosamente.

Havíamos antes comparecido ao prédio do 8° Distrito Naval , para confecção da nova identidade de Marinha , para atualizar a minha “ promoção” de Reserva Remunerada para Reformado . 


Foi outra visita emotiva pra mim porque foi naquele prédio , além de inaugurar o heliponto , com meu Super Lynx , me despedi da vida ativa na Marinha em cerimônia no Salão Nobre . Foi uma agradável visita ao 8°DN .

No retorno a Santos , cruzamos de carro a minha enorme cidade natal , e seu intenso e organizado , porém vagaroso, trânsito paulistano . 


Os “engarrafamentos”, me permitiram desfrutar da exposição artística a céu aberto dos painéis pintados nas estruturas de muitos prédios , como hoje tem sido adotado em muitas grandes cidades do mundo . Sampa não fica atras de outras em termos de quantidade e qualidade artística dessa nova pratica .


- ... mas Pirata , o que tudo isso tem a ver com o Pirata e a Dutra ?

- Ora tem tudo a ver ... Urrra Mêu !


Os primeiros Piratas/Corsários que invadiram o Brasil (de acordo com o livro “Piratas no Brasil” ) a área preferencial para tais invasões (entre outras ) , eram as “águas abrigadas da nossa costa “ como a Baía da Guanabara e da Baía de Santos. Desembarcados em qualquer uma das duas , expandiam suas apreensões e roubos por vias terrestres , utilizando “trilhas” do planalto do vale do Rio Paraíba que uniam a riqueza produzida por paulistas ao Poder do Império dos cariocas , no mesmo trajeto do traçado onde rolam as máquinas terrestres da trilha hoje conhecida como Via Dutra.


Se os Piratas daquela época já usavam a Dutra , por que este Pirata novo não pode contar estórias novas sobre a mesma trilha velha ?


Dito isso , desde 1971 , passei a utilizar a Dutra , conduzindo uma máquina vestindo uma farda azul , de acordo com minha pretensão infantil . A máquina era um Fuscão azul marinho . A farda era Azul do Jaquetão da Marinha . O destino era a primeira escola de Piratas , o Colégio Naval em Angra dos Reis ( naquela época não existia a Santos – Rio , alternativa de acesso rodoviário a Angra dos Reis ). Em 1998 , ainda continuava conduzindo máquinas pela Dutra para visitar o filhão Pirata de farda azul , cursando o ITA em São José dos Campos .


Imaginem só .... se não existisse a Dutra. O Pirata Alado ... nem existiria !

CQD

 ( como diriam os matemáticos antigos )

Aos caríssimos leitores ... um fraterno abraço agradecendo pela leitura do vosso ...

Pirata Alado



sábado, 9 de maio de 2026

Pirata ... e o HA-1

 


Amigos da Pirataria Alada...
"Arriba, abajo, al centro, adentro"
HA.... Arrrrr


Há 48 anos nascia o 1° Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Anti Submarinos (HA-1). Com o passar do tempo ele perdeu o especifico “Anti- Submarino “ para se tornar “esclarecedor e predador” de qualquer inimigo que ousasse  causar ameaça aos nosso enorme país.

Hoje posso garantir que essa unidade aérea militar marcou minha existência como cidadão , quando tive a sorte de ser direcionado para fazer parte deste “privilegiado “ grupo . Isso ocorreu há 46 anos. A partir daí , tudo o que ocorreu nestes últimos 46 anos moldaram , tanto minha vida profissional , como minha vida privada.

São muitas fases marcantes e muitas lembranças que geraram momentos inesquecíveis comprovadas por imagens fotográficas ou imaginadas pela IA (Inteligência Artificial)... e é dessa forma que pretendo contar esta história :

Era uma vez um Primeiro Tenente da Marinha do Brasil , que depois de ter se tornado Aviador Naval , foi indicado para servir no (na época)” temível HA-1”.



Temível porque operava desde sua criação os helicópteros Westland Lynx WG 13 Lynx.(SAH-11) . Essas aeronaves eram “quase” um protótipo com vários problemas . Eram moderníssimas para época . Eram equipadas com equipamentos eletrônicos pouco conhecidos por nós e motores únicos Rolls Royce GEN 2. Os problemas de manutenção se avolumavam , desde rachadura de para-brisas em voo , vazamentos de óleos e fluidos em várias situações e principalmente “apagamentos “de motores em voo . Daí o adjetivo de “temível” do HA-1.

Me apresentei no Esquadrão e fui indicado a aguardar na antessala da Câmara do Comandante. Quando lá cheguei havia um Capitão de Corveta sentado aguardando , também para ser apresentado ao Comandante Frederico ( primeiro Comandante do Esquadrão) .
Reconheci o Corveta ao meu lado e me emocionei. Ele era uma “lenda” perante os jovens pilotos recém-formados como eu . No pouco tempo que ficamos na espera o constrangedor silêncio foi quebrado por mim .

- Comandante ... eu conheço o Senhor do Castelinho , quando eu era Aspirante da Escola Naval , e via o senhor sempre sentado sozinho numa mesa e nunca tive coragem de me aproximar . Sabia que o senhor era uma lenda e sempre quis ser como o Senhor . Um Aviador Naval ...e agora estou sentado ao seu lado para servir sob suas ordens como meu Imediato.

 Ele se emocionou e quando agradeceu e ia falar algo ... a porta da Câmara se abriu e fomos convidados pelo Comandante Frederico a entrar e nos apresentarmos formalmente .

Foi uma apresentação rápida e saímos cada qual pra conhecer suas funções.
Eu, como mais moderno oficial fui designado para o Departamento de Administração ( ou seja, cuidaria de papelada burocrática). Confesso que não gostei.

Iniciei rapidamente o ground scool daquela aeronave “ perigosa “. Ao longo das aulas teóricas comecei a gostar daquela “ máquina “ . Melhor que a máquina, conheci aqueles pilotos colegas , cada qual, com suas preocupações ( que não eram poucas ) mas comecei a perceber que todos se orgulhavam de pertencer àquele Esquadrão “ diferenciado” em relação aos outros. Os desafios operativos e de manutenção os distinguiam na “ macega”.
Durante os voos de qualificação,  aprendi com os " mestres" instrutores ( cada qual com sua característica particular) a dominar aquela " fera mecânica alada" ). As reações rápidas, as manobras evasivas radicais, a atenção aos instrumentos noturnos a baixa altitude em voos rasantes sobre o mar .. e os pousos a bordo de navios balançantes em mares bravios.
Era uma atividade emocionante e de precisão. 

O , recém assumido, Imediato usava o seu macacão ajustado que o deixava mais ... elegante. Logo assumiria o Comando interino até a chegada do novo Comandante.

Muitas coisas se passaram ,muitos embarques mesmo com dificuldade de manutenção e alguns incidentes por apagamento de motores.

 Muitos mais antigos desembarcaram sendo substituídos por outros oficiais mais antigos que eu , indicados pelo Comandante interino. Fui qualificado como piloto de teste e remanejado para a Divisão de Material ( com todos seus problemas logísticos ) . Foi uma grande escola administrativa pra mim . Acabei voando muito e aprendendo muito.

Alguns pilotos desembarcaram por contingência de carreira e alguns em busca de melhor remuneração na vida civil. 
O novo Comandante chegou , e o Comandante Interino voltou a ser Imediato. Vivíamos o período auge dos problemas da nossa “ máquina de guerra “. O novo Comandante, vindo da Inglaterra , tomou uma corajosa decisão: parar  as atividades operativas e aguardar soluções técnicas do fabricante visando a confiabilidade dos motores. Assim foi feito e em paralelo adotamos a configuração de DAE ( Destacamento Aéreo Embarcado ) no padrão semelhante aos usados na inglesa Royal Navy. Funcionou por algum tempo, mas se mostrou impossível de ser implantada na Marinha do Brasil pela dificuldade de prover a logística semelhante aos ingleses.
O meu 3* DAE foi marcante nessa época.  Era um time que jogava por música, com integrantes de altíssimo nível.

Os “apagamentos” de motores continuaram. Depois de cerca de 3 anos , deixei de ser o “ mais moderno aviador do Esquadrão”. Assumi a Divisão de Controle de Qualidade , e cursei o CENIPA e assumi como Oficial de Segurança de Aviação, infelizmente logo após o primeiro acidente com uma de nossas 9 aeronaves SAH- 11. A aeronave fora arrancada do convés da Fragata Niterói, numa tempestade marítima por uma onda demasiadamente poderosa numa noite complicada , no través do Cabo de Santa Marta da costa Catarinense. Os três tripulantes, foram milagrosamente resgatados com poucos danos , mas Netuno ficou com o nosso Lynx 3020 , naquele mar revolto noturno.

O tempo passou rápido, muitos embarques e voos, foram realizados , alguns apagamento de motores ocorreram com pousos em emergência com sucesso realizados inclusive a bordo em períodos noturnos.

Em 1986, fui enviado para França , para minha surpresa, para receber aeronaves na Aerospatiale e testar o concorrente ( Dauphin Naval), na concorrência para substituição dos SAH-11.

O Dauphin foi reprovado e a concorrência foi vencida pelo Super Lynx , que viria a ser conhecido como AH-11 A.



Depois de 2 anos na França e mais 2 na DAerM, fui enviado para ser Encarregado da formação de pilotos da Marinha e do Exército, ( a minha revelia ) no CIAAN ( Centro de Instrução e Adestramento da Aviação Naval). Continuei voando no HA-1, agora como “ pé preto”( oficial extra Esquadrão, mas qualificado no modelo SAH-11 ). Foram mais 2 anos , quando distante das obrigações administrativas , estava disponivel servindo operativamente ao HA-1.


Fui cursar na EGN ( Escola de Guerra Naval ). Já formado fui enviado para ser GDT ( Grupo de Desenvolvimento de Tática) do Comando da Força Aeronaval. Foi mais um ano como “ pé preto” do que, sempre considerei egoisticamente o " meu Esquadrão “. Nessa época, juntamente com o amigo Jansen Engenheiro Aeronáutico da Marinha ( formado no ITA), desenvolvemos o “ envelope de pouso para os Lynx , nas novíssimas Corvetas classe Inhaúma , fabricadas no Brasil.



Por uma série de motivos, 1 ano depois fui enviado para Brasília, para ser o Aviador da Marinha, no Estado Maior do COMDABRA ( Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) , novamente a minha revelia. Foram mais 2 anos distantes do “ meu “ Esquadrão . A saudade , me inspirou a resgatar das profundezas abissais a “Lenda do Sangue do Lince “ que ajuda a fortalecer a atitude de novos Linces.

Cumprida a minha missão depois de 2 anos , em Brasília, pedi para ser enviado para São Paulo ( meu Estado de nascença).

Fui atendido pelo Ministro Mauro César, ex-comandante da Fragata Independência, que havia me recolhido em emergência, por duas vezes , mono motor por apagamento de um dos GEN 2, problemáticos ( uma diurno e outra noturno... as duas sem danos materiais ou humanos). Nós , o Ministro e eu , já nos conhecíamos em situações de emergências . Pedi a ele minha transferência para São Paulo , por motivos particulares . Ele me atendeu .
Foram dois ano na Capitania dos Portos de São Paulo , com sede em Santos.


Foi uma missão espinhosa , acumulando tarefas de fiscalizações diversas . Como Polícia Naval, implantei a fiscalização aérea feita por helicópteros durante os períodos críticos de verão. Foi um grande sucesso na época para desespero dos infratores .

De Santos , finalmente com missão cumprida, fui enviado de volta para o “ meu “ Esquadrão. Agora de fato “ meu “ Esquadrão, como seu Comandante.!

Foi 1 ano incomparável . Tudo deu certo. Assumi recebendo 14 Super Lynx, novíssimos AH- 11 A . Muitos embarques, muitas horas de voo e uma tripulação selecionadíssima, ( inclusive alguns Aviadores de quem eu havia sido encarregado da formação no CIAAN), além de ter um 1° Escudeiro (Imediato) Carneiro, fiel amigo de tantos voos anteriores.

Recebi o Comando do meu verdadeiro irmão Russão. Tive a sorte, por ter comandado sem haver nenhuma perda material ou humana , nesta atividade de alto risco. 

Nessa época tive a oportunidade, de inaugurar o Heliponto, do 8 Distrito Naval, na minha cidade natal, São Paulo. 


Pude representar o meu Esquadrão da Marinha oficialmente, na Formatura de primeiro ano do meu filho Denis, no ITA, no comando do Super Lynx N – 4001, pousando no CTA ( Centro Tecnológico Aeronáutico) em São José dos Campos. 

Comemorei os 20 anos do HA-1 , ao lado da minha Sereia , depois de uma formatura histórica em voo com 5 Lynx e mais 4 embarcados.

Passei o meu Esquadrão para outro amigo irmão Lince de primeira linha Delfinho , como se fosse o meu filho . Me emocionei ao cumprimentar cada um daqueles militares e civis que estiveram sob minha responsabilidade.


Fui enviado para outro desafio em São Paulo. Administrar o projeto militar mais importante do País, o desenvolvimento da tecnologia de um Submarino movido a energia nuclear . Lá, depois de um ano , percebi que estava profissionalmente realizado, e que não me curvaria aos desmandos políticos emitidos por um “ politico” incompetente nomeado para ser o Ministro da Defesa. Estava pronto para pegar o meu chapéu e pendurar a farda ( e macacão de voo) .

Assim fiz, com a sensação do dever cumprido e com orgulho de ter Comandado a unidade militar de elite, reconhecida internacionalmente como

A Toca dos Linces Brasileiros...o HA-1.


Na vida civil , completei minha satisfação, depois de ser contratado por um civil competente , cuja referência principal para me contratar era que eu possuía a cara do Lince incrustrada no coração...eu era um ... Lince (não tenho dúvidas sobre isso) .


A todos que tiveram o privilégio de servirem , nessa unidade de elite aeronaval brasileira , independente de posto, graduação , militares ou civis e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram nestes 48 anos para nos orgulharmos do resultado que podemos ostentar hoje . 
Devemos isso , também , àqueles que nos deixaram e partiram para as estrelas que nos observam e nos guardam.

Parabéns pelos 48 anos do “NOSSO” HA-1



“ Invenire Hostem et Delere",

A nossa verdadeira "Lenda Viva "

Almirante Frederico, primeiro Comandante do HA-1 , que forjou nosso ambiente profissional , meu particular, agradecimento.


A todos os outros Linces, independentes de títulos, postos , graduações ou tipo de atividades, meu agradecimento pela amizade e ensinamentos transmitidos de forma fraterna.

Parabéns a todos que escreveram, escrevem ou virão a escrever a história do 

NOSSO
HA-1 

Vida longa a ele...

 Sem a influência e convivência com todos jamais existiria o .....

Pirata Alado



Fraterno abraço...a todos 



segunda-feira, 4 de maio de 2026

Veterano ... no Dia do Trabalho.



Amigos da Pirataria Alada... meu cordial " bom dia companheiros" ( assim se cumprimentam os "trabalhadores" )

 

 Já os vagabundos Veteranos Piratas , assim se cumprimentam ... - Diz aí parceiro. Tenha um bom dia e curta a vida.

 

Com essa dúvida no pensamento : 

Sou um trabalhador escritor .. ou um vagabundo convicto ? 


Comecei a madrugada de domingo no último feriadão dedicado aos trabalhadores.

A chuva típica da época,  espantou a " turistada" antecipando o regresso deixado a minha Santos mais tranquila.

A tarde tranquila com pouco movimento nas ruas e sem barulho das obras do " boom imobiliário " ofereciam um programa televisivo ao lado Sereia . Variamos entre esporte ( Fórmula 1 em Miami e Show da Shakira gravado em Copacabana).

O brasileiro Bortoleto ficou em 12° e o show da Shakira , não foi todo gravado porque ela atrasou .

A noite chegou e resolvi trabalhar um pouco , tipo " home office", que está na moda.

- Mas ... " trabalhar num domingo Pirata"?

Perguntaram os caros leitores.

- Sim , para homenagear os Dia dos Trabalho que , os trabalhadores não trabalham porque é feriado ! Responderia o Veterano Pirata.

Comecei trabalhando na produção de “conteúdo “ para a coluna “ Direto do Convoo “ publicada na RFA (Revista da Força Aérea ) assinada pelo meu amigo Comandante Barreira. Ele é trabalhador preguiçoso e pede que o Pirata produza o material que ele assina .

- Pode isso Arnaldo ? Perguntam ...e o Arnaldo responderia (se pudesse)

- Pode sim , afinal Pirata e Barreira se confundem , às vezes . Além disso o Pirata , mesmo Veterano sempre trabalhou 365 dias por ano , 7 dias por semana e 24 horas por dia sem reclamar , de comum acordo , com o “empregador” o tal de Beto.

 Aliás , aproveitando o  carreto , o tal de Beto aniversaria em 1 de Maio ( até no aniversário ele costuma trabalhar ). Parabéns, Chefe Beto ! Abraço do Pirata .

Dito isso , continuei na labuta “home office” enquanto a Sereia curtia a série “Machos Alfa “da NETFLIX... no nosso “ romantic room”.

 


Eu, aguardava a transmissão da WSL em Gold Coast da Austrália (campeonato mundial de Surf , onde os brasileiros se destacam com a conhecida “Brazilian Storm”. Quando faço isso, prefiro tirar o som da Tv , preferindo ouvir musica no fone de ouvido a minha coleção preferida no Spotfy. Ao mesmo tempo curtindo as imagens paradisíacas das praias , que muitas , eu conheço na ativa da Pirataria Alada. Este era o caso da Surfers Paradise , na Gold Coast Australiana.

 


Enquanto a competição iniciava na TV , no meu fone de ouvido comecei a escutar  o funk rítmico dançante “tás a ver “ do Gabriel Pensador  ... meu influencer  musical .

A conjunção de imagem da tv e som do fone ouvido me fizeram viajar na mente para outros tempos .

Reproduzo a letra do Pensador :

 

Tás a ver o que eu estou a ver?

Tás a ver estás a perceber?

Tás a ouvir o que eu estou a dizer?

Tás a ouvir estás a perceber?

 

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho

Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho

Tenho visto tanta coisa tanta cena

Mais impactante do que qualquer filme de cinema

E se milhares de filmes não traduzem nem reproduzem

A amplitude do que eu tenho visto

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando

Que uma música é capaz de expressar tudo isso

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando

Mas eu preciso acreditar na comunicação

Mas eu preciso acreditar na...

Não há melhor antídoto pra solidão

E é por isso que eu não fico satisfeito

Em sentir o que eu sinto

Se o que eu sinto fica só no meu peito

Por mais que eu seja egoísta

Aprendi a dividir as emoções e os seus efeitos

Sei que o mundo é um novelo uma só corrente

Posso vê-lo por seus belos elos transparentes

Mudam cores e valores, mas tá tudo junto

Por mais que eu saiba eu ainda pergunto


Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?

 

Nossa vida é feita

De pequenos

 

Tás a ver a linha do horizonte?

A levitar, a evitar que o céu se desmonte

Foi seguindo essa linha que notei que o mar

Na verdade, é uma ponte

Atravessei e fui a outros litorais

E no começo eu reparei nas diferenças

Mas com o tempo eu percebi

E cada vez percebo mais

Como as vidas são iguais

Muito mais do que se pensa

Mudam as caras

Mas todas podem ter as mesmas expressões

Mudam as línguas, mas todas têm

Suas palavras carinhosas e os seus calões

As orações e os deuses também variam

Mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar

Mudam os olhos e tudo que eles olham

Mas quando molham todos olham com o mesmo olhar

Seja onde for uma lágrima de dor

Tem apenas um sabor e uma única aparência

A palavra saudade só existe em português

Mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência

A solidão apavora, mas a nova amizade encoraja

E é por isso que a gente viaja

Procurando um reencontro uma descoberta

Que compense a nossa mais recente despedida

Nosso peito muitas vezes aperta

Nossa rota é incerta

Mas o que não incerto na vida?

Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita

De pequenos nadas

A vida é feita de pequenos nadas

Que a gente saboreia, mas não dá valor

Um pensamento, uma palavra, uma risada

Uma noite enluarada ou um sol a se pôr

Um bom dia, um boa tarde, um por favor

Simpatia é quase amor

Uma luz acendendo, uma barriga crescendo

Uma criança nascendo, obrigado senhor

Seja lá quem for o senhor

Seja lá quem for a senhora

A quem quiser me ouvir e a mim mesmo

Eu preciso dizer tudo o que eu estou dizendo agora

Preciso acreditar na comunicação

Não há melhor antídoto pra solidão

E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto

Se o que sinto fica só no meu peito

Por mais que eu seja egoísta

Aprendi a dividir minhas derrotas e minhas conquistas

Nada disso me pertence

É tudo temporário no tapete voador do calendário

Já que temos forças pra somar e dividir

Enquanto estivermos aqui

Se me ouvires cantando, canta comigo

Se me vires chorando, sorri

Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?

 

Nossa vida é feita

De pequenos nadas

 

Quando percebi , já era 3 da madruga. A Sereia já dormia no nosso  “romantic room “. O Surf já premiava a brasileira Luana da Silva , vice-campeã da etapa Gold Coast da WSL , assumindo como líder do ranking mundial feminino. Os homens estão bem também ...

 Fiquei me sentindo feliz , apesar de tudo o que está acontecendo no mundo. Senti fome e fui para a cozinha . Antes cobri a Sereia que dormia encolhida porque havia esfriado. Dei um carinhoso beijinho.


Fiz um delicioso mingau de Maizena , com Toddy. A fome passou e acendi um delicioso cigarrinho na janela observando o mar agitado na minha praia com maré alta de Lua cheia,

A cidade estava silenciosa (como eu gosto ) sem carros de escapamento barulhentos , como virou moda dos “ostentadores “ com seus carros esportivos importados .

O meu feriadão de Dia do Trabalho estava terminando . Fui dormir tranquilo ... em Paz ...afinal eu havia trabalhado ,

Afinal ... “A nossa vida é feita ... de pequenos nadas “ como canta o meu influencer ,,, o Pensador.

Pense nisso.

Aos meus queridos (as) leitores (leitoras) ... um fraterno e carinhoso abraço .

Do vosso Veterano Pirata Alado

 


👇Filminho Bonus para quem interessar possa . Me foi enviado pelo meu Irmão por opção

Pirataço Pilot Paulo Ferraz


Beijunda Santa 

Obrigado por isso... também 

Eu me identifiquei com o bonequinho .