domingo, 17 de maio de 2026

Veterano ... e os Blue Angels

 

Amigos da Pirataria Alada...meu respeitoso 

Hi fellows  

Caros leitores recebi há poucos dias a informação que , as primeiras mulheres se formaram como “Aviadoras Navais da Marinha do Brasil “.


 Isto é um marco histórico na nossa Marinha . Outras da área de saúde (médicas de Aviação) , chegaram a “solar” o nosso equipamento de instrução o IH – 6 Bell Jet Ranger (por opção delas) recebendo a asa apropriada no estágio ALPHA do nosso curso . As formadas agora são Aviadoras Navais , de fato . Fizeram o curso completo e prontas para operarem em qualquer situação exigida . Parabéns a elas.


Este evento me transportou ao final dos anos 90 , quando numa viagem de férias , privilegiei a Costa Leste norte americana . Queria conhecer Key West e suas famosas pontes que ligam as varias ilhas que formam aquela região. Aluguei um carro econômico (padrão americano) e parti “pilotado “ pela Sereia.

Chegando a linda Key West sem reserva de hotel (comum naquela época ) , reparei que o maior prédio da cidade ostentava no último andar um “banner” onde li : FLY NAVY


Imaginei que seria um Hotel de Trânsito da Marinha , já que sabia da existência , nas proximidades a “Naval Air Station Key West “, Me dirigi a portaria e constatei que estava certo . Me apresentei como Aviador Naval de Marinha do Brasil e fui bem recebido . A Cabo fardada da recepção imediatamente me questionou

- Wat is your rank , sir ?

- I’am a Lieutenant Commander .

A partir daí , de forma pratica e rápida me forneceu uma chave de quarto sem mais perguntas , depois de digitados os dados da minha carteira de identidade da Marinha do Brasil e do meu Passaporte . Nós ficariamos só um pernoite .

Subimos( Sereia & Pirata) para o andar indicado pela chave e abri a porta do que imaginei, seria o meu quarto. Não era! ...Era um apartamento com suíte, sala e copa... ou seja, um apartamento confortável , com vista panorâmica para toda região de Key West .


Num primeiro momento me assustei. Não havia... perguntado o preço. Resolvi ficar quieto para não pagar “ mico “, afinal vivíamos o curto período de paridade “Real x Dollar”.

Curtimos a região , jantamos peixe num simpático restaurante local e desfrutamos a noite terminando no confortável apartamento do Navy Hotel.


Na manhã seguinte me preparei para o Check out em USDollar.

- Good Morning . Please Checkout . Disse entregando a chave.

- USD 30,00 Please ! Foi a rápida resposta da cabo com amplo sorriso simpático .

Paguei imediatamente cash ,,, alegremente surpreso. O preço foi menor do que eu pagava nos Hotéis de Trânsito da Marinha , aqui no Brasil .

A partir daí perguntei a recepcionista se haveriam outros hotéis deste nível nos Estados Unidos . A resposta dela me surpreendeu ainda mais :

- Os MLs (Military Lodges ) e BOQs (Bachelor Officers' Quarters) possuem um único "livro mundial" para todas as Forças Armadas USA , impresso para compra. O Senhor pode ter acesso , pelo mesmo preço . O livro custa USD 5,00.

Sem mais conversa adquiri o Livro .


Continuei a viagem e usufrui o benefício , para testar , em Miami na Homestead (AFB) Air Force Base .

Tudo correu perfeitamente e adotei os Estados Unidos como destino predileto para viagens de férias.

No ano seguinte repeti a dose , mudando o roteiro . Partindo de Miami tomei o rumo para chegar a New Orleans , onde fiquei num Holliday In (conveniado ) , pelo mesmo preço , porque a Base Naval Logística , estava com o BOQ lotado. Neste trajeto , pernoitei na Tyndall AFB , adotei a estrada 98 litorânea do Golfo do México.


A parada seguinte foi “especial “ .

Ao passar pelo portão da “Naval Air Station (NAS) Pensacola”, não resisti e parei na recepção. Apresentei minha ID de Marinha do Brasil. O militar prestou continência e me indicou a entrada da recepção e o lugar para estacionar meu carro alugado.


Depois das formalidades cadastrais do casal (Pirata Alado & Sereia) , me foi fornecido um mapinha da enorme Base Aérea Naval , onde indicava o Navy Lodge , ao lado simplesmente do icônico “Blue Angels” Squadron .

Comecei a seguir as instruções do mapinha , maravilhado com tudo que via ao meu redor sob o som das turbinas de F-18 que nos sobrevoavam ,

Passamos ao largo de um enorme cemitério , com suas lapides padrão respeitando a memória daqueles heróis de algumas Guerras.


Chegamos ao Lodge e fizemos o Check -in para 1 pernoite , com vista para o mar .


Estávamos ao lado do Esquadrão e do Museu dos Blue Angels. Fomos visitar o museu . Recomendaram que fossemos no final do dia , admirar o pôr do sol no Clube de oficiais da Base .


Ao chegar no Clube ainda estava vazio , reparei que havia “bancos de madeira “ de pernas altas , isolados , distanciados margeando um balcão próximo a praia . pedi uma cerveja observando os ambientes.

Ao se aproximar o pôr do sol , começaram a chegar alguns pilotos de macacão . Todos reparavam o casal estranho , sentado em torno de uma mesinha , próximo ao balcão. Ao passar pelo casal estranho , portando suas canecas de chop , educadamente nos cumprimentavam e ocupavam os banquinhos isolados individualmente. Eu observava reparando nas “bolachas “ dos macacões e identifiquei a maioria ostentando ... F-18 Hornets. Algumas, de Blue Angels se destacavam. De repente um macacão, particularmente , se destacou ... era portado por uma “”moça , que foi saldada por todos , inclusive pelo casal de estranhos “naquele ninho” .

O enorme sol tocou a linha deslumbrante do horizonte com todos em silencio observando . Ao desaparecer abaixo da linha ... houve brinde coletivo e todos se congraçaram conversando entre eles . O estranho Pirata brindou com a estranha Sereia ao lado observando a alegria daqueles “Anjos Azuis” , com o respeito que um ” Lince Negro “ deve demonstrar nessa condição.


Depois de algum tempo observando , o casal estranho se despediu de todos se identificando , o que foi retribuído , desejando boa viagem.

Foi um dia para se guardar na memória.


No dia seguinte , fizemos Check out por USD 30,00 e seguimos para New Orleans .


Depois dessa viagem fiz outras por várias locais dos USA , sempre usufruindo do respeito demonstrado por militares aos colegas de países considerados “aliados”. Visitei várias Bases , até a de Cabo Canaveral .


Quando em 1998 , já portando a honra de Lince Lider , em Miami , me deram as chaves de uma casa só cedida à Comandantes de Unidade na Homestead (AFB) Air Force Base ( já era cliente cadastrado ... agora promovido a Commander).


Naquele ano , depois de uma complicada Operação Topon 98, na Base de Rota no Mediterrâneo (compartilhada Espanha/Usa) tive novamente a oportunidade de desfrutar dos 30 USDollar num pernoite.

Depois do fatídico 11 de Setembro de 2001 , já como Veterano Pirata da Reserva Remunerada , tentei em São Franscisco , na Costa Oeste Americana, usar a prerrogativa dos 30 USD na Estação Naval, Ilha do Tesouro. Fui informado que depois de 11 de setembro as regras mudaram . Agora , deveria ser feito um agendamento com 6 meses de antecedência e se  fosse aprovado depois de um “pente fino” no meu “histórico “ , aí teria acesso autorizado. Acho que deixamos de ser muito “aliados” dos USA. Fazer o que ...né ?


Considerando tudo que foi descrito , tendo agora , o conhecimento da formação das Primeiras Aviadoras Navais da Marinha do Brasil , só resta a este Verano Pirata Alado , desejar a Elas feliz carreira na Aviação Naval , repleta de horas de voos seguros nas atividades que melhor lhes convier .

De acordo com minha admiração pela “moça” que portava um macacão onde uma “bolacha” de F-18 se destacava , fico aguardando a notícia de que uma Aviadora Naval , tenha a honra de ser inoculada com o Sangue do Lince , se tornando merecedora de ostentar a “Cara do Lince “ no seu macacão.


A Toca dos “Black Lynx” não ficará devendo nada a Toca dos “Blue Angels”.



Caríssimos leitores (as ) , espero que tenham desfrutado esta história de Aventuras deste casal estranho ( Pirata & Sereia) , por terras do Tio San.


Respeitoso abraço  a todos 
do vosso

Veterano Pirata Alado





sexta-feira, 15 de maio de 2026

Pirata...e a Dutra

 


Amigos da Pirataria Alada ... meu cordial Bom dia ... e Boa viagem

Hoje num dia chuvoso que não recomenda uma caminhada meditativa praiana , resolvi fazer meditação da minha janela mesmo , observando a praia sem sol . 

Ontem fiz uma visita a Sampa (cidade de São Paulo para os íntimos ) revivendo muitas recordações , ao passar pelo Campo de Marte ,

pela centenaria Estação da Luz ( que foi terminal ferroviário ) e o terminal rodoviário nos anos 60/70.

Essa visita paulistana de ontem , me incentivou a contar esta história que pode até explicar como um “paulistano nato se torna um Pirata Alado.

A via Dutra (oficialmente , hoje conhecida como trecho da BR-116) que liga São Paulo e Rio de Janeiro , assim é descrita na internet :

Inauguração (1951): Foi uma das primeiras rodovias totalmente asfaltadas do país, inaugurada na gestão de Getúlio Vargas, mas nomeada em homenagem ao presidente Eurico Gaspar Dutra.

Duplicação (1967): A rodovia foi totalmente duplicada na década de 1960, finalizada em 1967, durante o regime militar, tornando-se fundamental para a integração econômica.

Concessão (1996): Em março de 1996, a CCR NovaDutra assumiu a administração da via, modernizando-a após um período de deterioração.

Impacto Econômico: Atravessa 36 municípios, incluindo o Vale do Paraíba, servindo como a principal artéria logística do país e impactando mais de 23 milhões de pessoas.

Nova Concessão: Atualmente, a rodovia passa por novas melhorias para modernização e aumento da segurança.(atrasada há pelo menos 30 anos)


Pois então , a Dutra uniu de forma rodoviária paulistas e cariocas de fato, a tal ponto que , um “caipira paulista” militar de aviação da Segunda Grande Guerra e uma professora “carioca da gema “, se conheceram num baile do Tijuca Tenis Clube no Rio de Janeiro . Essa união produziu em 1954 o projeto do que viria a se tornar o “Pirata Alado”.

Nascido (e residente ) no Campo de Marte , próximo ao Terminal Rodo ferroviário da Luz , a família meio carioca e meio paulista , fazia uso tanto de ônibus da Viação Cometa , quanto dos trens conhecidos como “ Trem de Prata “ para as visitas familiares , nos dois extremos da Dutra.

A criança , produto de influencias “mistas” daquele casal , admirava as “fardas” dos condutores daquelas máquinas , fosse trem ou ônibus , que rodavam nos trajetos semelhantes pelos vales do Rio Paraíba , com paisagens deslumbrantes , fossem Serras altíssimas ( Itatiaia ) ou fazendas coloniais de café que produziam a principal riqueza do grande País ( o café).

 Por vezes pegava caronas nos aviões da FAB partindo do Campo de Marte com destino , principalmente ao aeroporto Santos Dumont , quando eu ficava deslumbrado com a vizinha Escola de Piratas instalada , na ilha forte que homenageia o Corsário invasor Villegagnon. 


 Eu adorava as máquinas e as fardas dos diversos condutores . A farda que eu mais gostava era as dos condutores do ônibus “ morubixaba da Cometa “, que era azul ( a minha cor predileta , tanto do céu quanto do mar ).


A dos condutores dos aviões da FAB , era bege (na época ) . 

Dos trens de prata eu não via , porque eles ficavam longes do meu visual . Quando os “morubixabas” se cruzavam na Dutra (mão dupla ) piscavam os faróis , tocavam a buzina e faziam sinais codificados com as mãos , indicando as condições da estrada . Eu ficava maravilhado e pensava :

 - É isso que quero ser ... quando crescer !

Quando a farda da FAB mudou a cor para Azul ... mudei de opinião quanto o meu futuro de “condutor de máquinas “ . 

Troquei o Ônibus por Aviões . Hoje , creio que foi uma boa ideia , na época .🤔

Voltando a minha última visita a Sampa , convidei o querido casal de amigos (Sandra e Marcelo) a nos acompanharem ( Sereia & Pirata ) para degustarem , a pizza de muçarela mais deliciosa de Sampa , acompanhada de uma salada da casa “única” na Pizzaria “centenária” ao lado da igreja matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó , no alto do morro da Freguesia do Ó, com visual deslumbrante de Sampa . 


A pizzaria do Bruno (amigo do meu pai ) que frequentávamos aos domingos desde minha infância . Foi um almoço sentimentalmente e de fato “delicioso “ socialmente ,visualmente e saudosamente.

Havíamos antes comparecido ao prédio do 8° Distrito Naval , para confecção da nova identidade de Marinha , para atualizar a minha “ promoção” de Reserva Remunerada para Reformado . 


Foi outra visita emotiva pra mim porque foi naquele prédio , além de inaugurar o heliponto , com meu Super Lynx , me despedi da vida ativa na Marinha em cerimônia no Salão Nobre . Foi uma agradável visita ao 8°DN .

No retorno a Santos , cruzamos de carro a minha enorme cidade natal , e seu intenso e organizado , porém vagaroso, trânsito paulistano . 


Os “engarrafamentos”, me permitiram desfrutar da exposição artística a céu aberto dos painéis pintados nas estruturas de muitos prédios , como hoje tem sido adotado em muitas grandes cidades do mundo . Sampa não fica atras de outras em termos de quantidade e qualidade artística dessa nova pratica .


- ... mas Pirata , o que tudo isso tem a ver com o Pirata e a Dutra ?

- Ora tem tudo a ver ... Urrra Mêu !


Os primeiros Piratas/Corsários que invadiram o Brasil (de acordo com o livro “Piratas no Brasil” ) a área preferencial para tais invasões (entre outras ) , eram as “águas abrigadas da nossa costa “ como a Baía da Guanabara e da Baía de Santos. Desembarcados em qualquer uma das duas , expandiam suas apreensões e roubos por vias terrestres , utilizando “trilhas” do planalto do vale do Rio Paraíba que uniam a riqueza produzida por paulistas ao Poder do Império dos cariocas , no mesmo trajeto do traçado onde rolam as máquinas terrestres da trilha hoje conhecida como Via Dutra.


Se os Piratas daquela época já usavam a Dutra , por que este Pirata novo não pode contar estórias novas sobre a mesma trilha velha ?


Dito isso , desde 1971 , passei a utilizar a Dutra , conduzindo uma máquina vestindo uma farda azul , de acordo com minha pretensão infantil . A máquina era um Fuscão azul marinho . A farda era Azul do Jaquetão da Marinha . O destino era a primeira escola de Piratas , o Colégio Naval em Angra dos Reis ( naquela época não existia a Santos – Rio , alternativa de acesso rodoviário a Angra dos Reis ). Em 1998 , ainda continuava conduzindo máquinas pela Dutra para visitar o filhão Pirata de farda azul , cursando o ITA em São José dos Campos .


Imaginem só .... se não existisse a Dutra. O Pirata Alado ... nem existiria !

CQD

 ( como diriam os matemáticos antigos )

Aos caríssimos leitores ... um fraterno abraço agradecendo pela leitura do vosso ...

Pirata Alado



sábado, 9 de maio de 2026

Pirata ... e o HA-1

 


Amigos da Pirataria Alada...
"Arriba, abajo, al centro, adentro"
HA.... Arrrrr


Há 48 anos nascia o 1° Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Anti Submarinos (HA-1). Com o passar do tempo ele perdeu o especifico “Anti- Submarino “ para se tornar “esclarecedor e predador” de qualquer inimigo que ousasse  causar ameaça aos nosso enorme país.

Hoje posso garantir que essa unidade aérea militar marcou minha existência como cidadão , quando tive a sorte de ser direcionado para fazer parte deste “privilegiado “ grupo . Isso ocorreu há 46 anos. A partir daí , tudo o que ocorreu nestes últimos 46 anos moldaram , tanto minha vida profissional , como minha vida privada.

São muitas fases marcantes e muitas lembranças que geraram momentos inesquecíveis comprovadas por imagens fotográficas ou imaginadas pela IA (Inteligência Artificial)... e é dessa forma que pretendo contar esta história :

Era uma vez um Primeiro Tenente da Marinha do Brasil , que depois de ter se tornado Aviador Naval , foi indicado para servir no (na época)” temível HA-1”.



Temível porque operava desde sua criação os helicópteros Westland Lynx WG 13 Lynx.(SAH-11) . Essas aeronaves eram “quase” um protótipo com vários problemas . Eram moderníssimas para época . Eram equipadas com equipamentos eletrônicos pouco conhecidos por nós e motores únicos Rolls Royce GEN 2. Os problemas de manutenção se avolumavam , desde rachadura de para-brisas em voo , vazamentos de óleos e fluidos em várias situações e principalmente “apagamentos “de motores em voo . Daí o adjetivo de “temível” do HA-1.

Me apresentei no Esquadrão e fui indicado a aguardar na antessala da Câmara do Comandante. Quando lá cheguei havia um Capitão de Corveta sentado aguardando , também para ser apresentado ao Comandante Frederico ( primeiro Comandante do Esquadrão) .
Reconheci o Corveta ao meu lado e me emocionei. Ele era uma “lenda” perante os jovens pilotos recém-formados como eu . No pouco tempo que ficamos na espera o constrangedor silêncio foi quebrado por mim .

- Comandante ... eu conheço o Senhor do Castelinho , quando eu era Aspirante da Escola Naval , e via o senhor sempre sentado sozinho numa mesa e nunca tive coragem de me aproximar . Sabia que o senhor era uma lenda e sempre quis ser como o Senhor . Um Aviador Naval ...e agora estou sentado ao seu lado para servir sob suas ordens como meu Imediato.

 Ele se emocionou e quando agradeceu e ia falar algo ... a porta da Câmara se abriu e fomos convidados pelo Comandante Frederico a entrar e nos apresentarmos formalmente .

Foi uma apresentação rápida e saímos cada qual pra conhecer suas funções.
Eu, como mais moderno oficial fui designado para o Departamento de Administração ( ou seja, cuidaria de papelada burocrática). Confesso que não gostei.

Iniciei rapidamente o ground scool daquela aeronave “ perigosa “. Ao longo das aulas teóricas comecei a gostar daquela “ máquina “ . Melhor que a máquina, conheci aqueles pilotos colegas , cada qual, com suas preocupações ( que não eram poucas ) mas comecei a perceber que todos se orgulhavam de pertencer àquele Esquadrão “ diferenciado” em relação aos outros. Os desafios operativos e de manutenção os distinguiam na “ macega”.
Durante os voos de qualificação,  aprendi com os " mestres" instrutores ( cada qual com sua característica particular) a dominar aquela " fera mecânica alada" ). As reações rápidas, as manobras evasivas radicais, a atenção aos instrumentos noturnos a baixa altitude em voos rasantes sobre o mar .. e os pousos a bordo de navios balançantes em mares bravios.
Era uma atividade emocionante e de precisão. 

O , recém assumido, Imediato usava o seu macacão ajustado que o deixava mais ... elegante. Logo assumiria o Comando interino até a chegada do novo Comandante.

Muitas coisas se passaram ,muitos embarques mesmo com dificuldade de manutenção e alguns incidentes por apagamento de motores.

 Muitos mais antigos desembarcaram sendo substituídos por outros oficiais mais antigos que eu , indicados pelo Comandante interino. Fui qualificado como piloto de teste e remanejado para a Divisão de Material ( com todos seus problemas logísticos ) . Foi uma grande escola administrativa pra mim . Acabei voando muito e aprendendo muito.

Alguns pilotos desembarcaram por contingência de carreira e alguns em busca de melhor remuneração na vida civil. 
O novo Comandante chegou , e o Comandante Interino voltou a ser Imediato. Vivíamos o período auge dos problemas da nossa “ máquina de guerra “. O novo Comandante, vindo da Inglaterra , tomou uma corajosa decisão: parar  as atividades operativas e aguardar soluções técnicas do fabricante visando a confiabilidade dos motores. Assim foi feito e em paralelo adotamos a configuração de DAE ( Destacamento Aéreo Embarcado ) no padrão semelhante aos usados na inglesa Royal Navy. Funcionou por algum tempo, mas se mostrou impossível de ser implantada na Marinha do Brasil pela dificuldade de prover a logística semelhante aos ingleses.
O meu 3* DAE foi marcante nessa época.  Era um time que jogava por música, com integrantes de altíssimo nível.

Os “apagamentos” de motores continuaram. Depois de cerca de 3 anos , deixei de ser o “ mais moderno aviador do Esquadrão”. Assumi a Divisão de Controle de Qualidade , e cursei o CENIPA e assumi como Oficial de Segurança de Aviação, infelizmente logo após o primeiro acidente com uma de nossas 9 aeronaves SAH- 11. A aeronave fora arrancada do convés da Fragata Niterói, numa tempestade marítima por uma onda demasiadamente poderosa numa noite complicada , no través do Cabo de Santa Marta da costa Catarinense. Os três tripulantes, foram milagrosamente resgatados com poucos danos , mas Netuno ficou com o nosso Lynx 3020 , naquele mar revolto noturno.

O tempo passou rápido, muitos embarques e voos, foram realizados , alguns apagamento de motores ocorreram com pousos em emergência com sucesso realizados inclusive a bordo em períodos noturnos.

Em 1986, fui enviado para França , para minha surpresa, para receber aeronaves na Aerospatiale e testar o concorrente ( Dauphin Naval), na concorrência para substituição dos SAH-11.

O Dauphin foi reprovado e a concorrência foi vencida pelo Super Lynx , que viria a ser conhecido como AH-11 A.



Depois de 2 anos na França e mais 2 na DAerM, fui enviado para ser Encarregado da formação de pilotos da Marinha e do Exército, ( a minha revelia ) no CIAAN ( Centro de Instrução e Adestramento da Aviação Naval). Continuei voando no HA-1, agora como “ pé preto”( oficial extra Esquadrão, mas qualificado no modelo SAH-11 ). Foram mais 2 anos , quando distante das obrigações administrativas , estava disponivel servindo operativamente ao HA-1.


Fui cursar na EGN ( Escola de Guerra Naval ). Já formado fui enviado para ser GDT ( Grupo de Desenvolvimento de Tática) do Comando da Força Aeronaval. Foi mais um ano como “ pé preto” do que, sempre considerei egoisticamente o " meu Esquadrão “. Nessa época, juntamente com o amigo Jansen Engenheiro Aeronáutico da Marinha ( formado no ITA), desenvolvemos o “ envelope de pouso para os Lynx , nas novíssimas Corvetas classe Inhaúma , fabricadas no Brasil.



Por uma série de motivos, 1 ano depois fui enviado para Brasília, para ser o Aviador da Marinha, no Estado Maior do COMDABRA ( Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) , novamente a minha revelia. Foram mais 2 anos distantes do “ meu “ Esquadrão . A saudade , me inspirou a resgatar das profundezas abissais a “Lenda do Sangue do Lince “ que ajuda a fortalecer a atitude de novos Linces.

Cumprida a minha missão depois de 2 anos , em Brasília, pedi para ser enviado para São Paulo ( meu Estado de nascença).

Fui atendido pelo Ministro Mauro César, ex-comandante da Fragata Independência, que havia me recolhido em emergência, por duas vezes , mono motor por apagamento de um dos GEN 2, problemáticos ( uma diurno e outra noturno... as duas sem danos materiais ou humanos). Nós , o Ministro e eu , já nos conhecíamos em situações de emergências . Pedi a ele minha transferência para São Paulo , por motivos particulares . Ele me atendeu .
Foram dois ano na Capitania dos Portos de São Paulo , com sede em Santos.


Foi uma missão espinhosa , acumulando tarefas de fiscalizações diversas . Como Polícia Naval, implantei a fiscalização aérea feita por helicópteros durante os períodos críticos de verão. Foi um grande sucesso na época para desespero dos infratores .

De Santos , finalmente com missão cumprida, fui enviado de volta para o “ meu “ Esquadrão. Agora de fato “ meu “ Esquadrão, como seu Comandante.!

Foi 1 ano incomparável . Tudo deu certo. Assumi recebendo 14 Super Lynx, novíssimos AH- 11 A . Muitos embarques, muitas horas de voo e uma tripulação selecionadíssima, ( inclusive alguns Aviadores de quem eu havia sido encarregado da formação no CIAAN), além de ter um 1° Escudeiro (Imediato) Carneiro, fiel amigo de tantos voos anteriores.

Recebi o Comando do meu verdadeiro irmão Russão. Tive a sorte, por ter comandado sem haver nenhuma perda material ou humana , nesta atividade de alto risco. 

Nessa época tive a oportunidade, de inaugurar o Heliponto, do 8 Distrito Naval, na minha cidade natal, São Paulo. 


Pude representar o meu Esquadrão da Marinha oficialmente, na Formatura de primeiro ano do meu filho Denis, no ITA, no comando do Super Lynx N – 4001, pousando no CTA ( Centro Tecnológico Aeronáutico) em São José dos Campos. 

Comemorei os 20 anos do HA-1 , ao lado da minha Sereia , depois de uma formatura histórica em voo com 5 Lynx e mais 4 embarcados.

Passei o meu Esquadrão para outro amigo irmão Lince de primeira linha Delfinho , como se fosse o meu filho . Me emocionei ao cumprimentar cada um daqueles militares e civis que estiveram sob minha responsabilidade.


Fui enviado para outro desafio em São Paulo. Administrar o projeto militar mais importante do País, o desenvolvimento da tecnologia de um Submarino movido a energia nuclear . Lá, depois de um ano , percebi que estava profissionalmente realizado, e que não me curvaria aos desmandos políticos emitidos por um “ politico” incompetente nomeado para ser o Ministro da Defesa. Estava pronto para pegar o meu chapéu e pendurar a farda ( e macacão de voo) .

Assim fiz, com a sensação do dever cumprido e com orgulho de ter Comandado a unidade militar de elite, reconhecida internacionalmente como

A Toca dos Linces Brasileiros...o HA-1.


Na vida civil , completei minha satisfação, depois de ser contratado por um civil competente , cuja referência principal para me contratar era que eu possuía a cara do Lince incrustrada no coração...eu era um ... Lince (não tenho dúvidas sobre isso) .


A todos que tiveram o privilégio de servirem , nessa unidade de elite aeronaval brasileira , independente de posto, graduação , militares ou civis e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram nestes 48 anos para nos orgulharmos do resultado que podemos ostentar hoje . 
Devemos isso , também , àqueles que nos deixaram e partiram para as estrelas que nos observam e nos guardam.

Parabéns pelos 48 anos do “NOSSO” HA-1



“ Invenire Hostem et Delere",

A nossa verdadeira "Lenda Viva "

Almirante Frederico, primeiro Comandante do HA-1 , que forjou nosso ambiente profissional , meu particular, agradecimento.


A todos os outros Linces, independentes de títulos, postos , graduações ou tipo de atividades, meu agradecimento pela amizade e ensinamentos transmitidos de forma fraterna.

Parabéns a todos que escreveram, escrevem ou virão a escrever a história do 

NOSSO
HA-1 

Vida longa a ele...

 Sem a influência e convivência com todos jamais existiria o .....

Pirata Alado



Fraterno abraço...a todos