Amigos da Pirataria Alada meu respeitoso bons ventos Marinheiros.
Este post é antes de tudo um agradecimento a RMB ( Revista Marítima Brasileira ) pela publicação de mais uma historinha , assinada pelo meu amigão Comandante Barreira ( aquele milicão carrancudo) , já " Reformado de Marinha ". Ele adora " piratear as historinha do Pirata ".
Independente disso recomendo a leitura da RMB, V.146 n.07/09 julho/ setembro 2026 , particularmente na coluna "O LADO PITORESCO DA VIDA NAVAL " , a história entitulada DRONE.
A Revista como um todo tem artigos técnicos de alto nível, mas a referida coluna do meu amigo pode ser ... divertida .( além de instrutiva 😇).
Assim sendo...disponibilizo o texto original do Pirata , tentando produzir imagens da situação vivida.
Divirtam-se! ( porque eu já me diverti ) com o
Zé do
Drone
Prezados leitores da tradicional Revista Marítima , particularmente nesta coluna “Fatos Pitorescos da Vida Naval “ meu respeitoso Bem-vindo a bordo !
Confesso que há tempos não escrevo algum conteúdo que se
enquadre neste espaço literário .
Sei que todos nós “marujos” somos repletos de fatos
pitorescos em função da nossa atividade profissional , sejam “ativos , inativos
ou veteranos como eu”... então, por que não os contar aqui na nossa “Praça
Darmas” literária ?
Dito isso , hoje como Veterano Aviador Naval , me senti a vontade para contar
este Fato Pitoresco , ocorrido nos anos
80 quando ainda era um jovem Capitão Tenente , servindo no HA-1 (1° Esquadrão
de Esclarecimento e Ataque Anti-submarino). Naquela época nós operávamos os “moderníssimos “ SAH-11 Sea
Lynx a bordo (principalmente ) das também “moderníssimas “ Fragatas da classe
Niterói .
Voávamos muito , sem as restrições orçamentarias de hoje. A Esquadra como um todo mantinha-se preparada e pronta para tudo (até para nada como convém ao povo Brasileiro mantendo a paz respeitosamente pelo resto do mundo e suas Marinhas ).
Ju
Foi num desses exercícios de adestramento , tipo ADEREX , TROPICALEX , TEMPEREX
ou qualquer outro EX desses que eu estava bordo , como COA (Comandante
Operativo da Aeronave ) de um Lynx , ainda me adaptando aos problemas normais
que aparecem em todo projeto aeronáutico novo , que exigem “horas de voo” até
que os problemas sejam sanados . Esse fator levam todos que o operam ao nível
de atenção redobrado .
Me desculpo antecipadamente por não me lembrar do ano exato
, nem o nome do exercício da Esquadra, assim como , em qual Fragata o meu DAE
(Destacamento Aéreo Embarcado ) estava embarcado e nem o nome do meu copiloto
deste voo assim como o nome do Fiel da Aeronave , Subalterno indispensável a
bordo de qualquer voo operativo de um Lynx até hoje ( atribuo esta falha
imperdoável a idade avançada deste Veterano saudoso da água salgada no rosto).
Dito isso vamos ao FATO :
Na minha Fragata , além do DAE , estava embarcada uma equipe
do CASOP (Centro de Apoio a Sistemas Operativos ) do Comando da Esquadra,
responsáveis pelos DRONES daquela época . Aqueles DRONES , tão comuns hoje em
dia , eram pequenos aviões de controle remoto , pouco mais sofisticados que os
brinquedos de controle remotos que começavam a aparecer no mercado privado dos
anos 80 . Eles eram importantes desempenhando o papel de alvos aéreos para
exercícios dos canhões de 40mm das fragatas usando munições específicas para
adestramento . Quando eram considerados “abatidos “ , ou quando acabava o
combustível do pequeno motor a combustão que movimentava a hélice de empuxo , o
nosso ” drone “ disparava um pequeno para quedas, que permitia ao artefato cair
no mar sem maiores danos , sendo recolhido por uma embarcação de pequeno porte podendo
ser reutilizado, depois de abastecido, em outro exercício de tiro.
Me lembro que o oficial encarregado dos drones , na época ,
era mais antigo que eu (provavelmente Capitão de Corveta do quadro auxiliar AA)
que chamávamos carinhosamente de Zé do Drone.
Num dia de exercício tiro antiaéreo das Fragatas , o Zé do
Drone e sua equipe lançaram o “artefato alvo” perfeitamente de acordo com o
planejado. Ele no comando com seu equipamento de controle remoto manobrava com
precisão. Não foi abatido por nenhuma das Fragatas , demonstrando a habilidade
do seu “piloto remoto “ , que acabou acionando automaticamente o para quedas
por falta de combustível . O drone tocou a água suavemente , próximo ao nosso
Capitânia , o saudoso NAel Minas Gerais,
que prontamente providenciou o seu recolhimento para bordo.
Todos satisfeitos com o exercício , ao término , recebi a
ordem de decolar meu Lynx para trazer o Drone do Mingão , por meio de carga
externa do Lynx ( o Drone era grande e pesado o suficiente para optar por este
meio de transporte) e trazê-lo em segurança para a Fragata onde o pessoal do
CASOP , faria as inspeções necessárias , abastecendo de combustível próprio
para outro exercício .
A manobra de carga externa de qualquer helicóptero exige a
participação da equipe a bordo de qualquer navio , para prender a carga ao cabo
externo laçado pelo helicóptero , quando então o fiel da aeronave dá o pronto
para a decolagem .
O Piloto em comando do helicóptero não vê a carga nesse
momento prestando atenção aos instrumento para manter um voo pairado preciso ,
em altitude considerando o natural balanço das unidades flutuantes , que
executam seus trabalhos de prender a carga com
segurança para ser transportada ... pendurada por um cabo de aço externo
preso a “ barriga” do helicóptero.
Um artefato que voa , deve ser transportado em carga externa
pendurado pela cauda (em cruz) por um elo reforçado com distorcedor apropriado
para tal , evitando que ele gire no eixo mas não “decole “ e ganhe sustentação
preso ao transportador em deslocamento aéreo .
Cheguei ao convés do Mingão
onde a equipe deles já estava preparada. Me posicionei pairado sobre o
alvo obedecendo as orientações do fiel .
- Em posição . Mantenha !O fiel me reportou pela comunicação interna .
- Mantendo posição . Respondi .
- Carga presa . Livre decolagem subindo contra a direção do
vento , autorizada pela equipe a bordo. Transmitiu o fiel .
Observei a direção na “biruta” de vento do Mingão e iniciei
a subida decolando sem movimentos bruscos .
- Minas Gerais ... falcão 01 decolando . Bons ventos .
Transmiti ao navio como se tratam os “homens do mar “.
Ao me estabilizar 400pés ( altitude segura ) mantendo cerca
de 40 knós suficientemente segura para este tipo de deslocamento .
- Fiel ... Piloto ... comunique qualquer movimento da carga
. Transmiti ao Fiel .
Uma carga em cruz pendurada , normalmente gira no eixo .
Isso é esperado , e o elo da cauda é preparado para este movimento sem causar
problema ao voo do helicóptero .
- Piloto ...Fiel ...
carga pendulando ... lateralmente !
Há técnicas de pilotagem para este caso para corrigir e as
apliquei .
Fiel ... Piloto ...me avisa qualquer movimento pendular e se
parou .
Alguns segundos se passaram quando ouvi ... em tom enérgico
... sem preâmbulos :
- Drone pendulando a boreste da aeronave !!!
Assustado olhei a direita e vi o drone voando em ala e mais
alto que meu Lynx ...e pior ... preso por uma cabo de aço a minha aeronave ,,,
que certamente o traria ao meu rotor quando esticasse completamente ....Quando
o drone por sorte mergulhou passando por baixo do helicóptero ... não tive
dúvidas ... e com o “ coração na boca “
apertei o botão vermelho “cargo release “ ejetando o drone que foi ao mar ...
sem paraquedas .
Comuniquei aos navios e me dirigi para pouso na minha
Fragata ,
Pousei , cortei os motores e freei os rotores. Desci sem entender bem o que havia
acontecido .... me dirigindo ao Zé do Drone ... que estava quase aos prantos pela perda de
um de seus “filhotes” ( nos
abraçamos e prestei minhas condolências
sinceras ) .
As investigações posteriores deram conta que , por medida de
segurança , a equipe do Mingão providenciou uma “alça de transporte “ bem
segura que mantivesse o drone perfeitamente estabilizado na posição de voo sem
movimentações indesejáveis para uma “aeronave de asa fixa”. Já pensou se num
museu vão expor uma aeronave dessas de “cabeça para baixo pendurada pelo rabo “
? Jamais ! isso seria indigno !
Resultado da investigação do incidente aéreo : “Incrementar
aulas de Aerodinâmica para todas as tripulações de navios que operam aeronaves
“.
Nunca mais ocorreu um evento semelhante que eu saiba .
Somos todos seres humanos . Voar é uma atividade feita para
os pássaros não para os humanos que insistem em voar . ... mas como é uma
delícia ... é melhor lembrar disso ... e estar preparado para tudo ...
O voo militar exige um grau de atenção maior ainda ( os riscos são um pouco maiores ).
OBS : Todas imagens acrescentadas ao texto original, foram produzidas por meio de IA Copilot , por falta de imagens verdadeiras.
Obrigado a RMB, em nome do meu amigão Comandante Barreira, pela honra de ter sido publicado , mais uma vez.
Fraterno abraço a todos amigos da Pirataria Alada do
vosso Veterano Pirata Alado
Agradecimento particular ao meu amigo CMG Alcântara ( da minha turma ATAC e servindo no CASOP na época) que consultei antes de disponibilizar para publicação desta história, me dando respaldo a veracidade do FATO.




















