Amigos da Pirataria Alada ... meu respeitoso
“Hello friends of Wynged Piracy !"
Nesta madrugada chuvosa e silenciosa , meu sono se foi , liberando a mente para recordar o passado . Dessa forma, a mente viajou para a Inglaterra e seus Piratas. (assim funciona cabeça de Pirata sem sono ... inspirado pelo Lord Cochrane... primeiro Almirante Corsário / Pirata da Marinha do Brasil ).
Esta estória (inspirada em situações reais... mas sem compromisso com detalhes ... verdadeiros ) começa no fim dos anos 60 quando mantive os primeiros contatos com o idioma Inglês,
Naquela época , eu era “um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones “ .
Eu , adolescente, cursava o ginasial num Colégio Estadual em São Paulo e adorava as aulas de Inglês ( não em função do verbo “ To Be”), mas sim em função da linda professora , jovem que se vestia normalmente de “Minissaia” ( nova moda da época ) .
A Professora “Teacher Linda” (mera coincidência) , atraía mais a minha atenção , do que o verbo To Be. Resultado : Fui aprovado com nota mínima (a menor de todas outras matérias).
O tempo passou e (em 1970) fui aprovado no concurso do Colégio Naval . Nessa época, havia estudado muito com um cara que acabou se tornando o meu primeiro “Irmão por Opção” ( o saudoso Taketani).
No primeiro , dia de CN (Colégio Naval), a minha vida de Pirata se iniciou , quando conheci outro irmão por opção , que ao longo dos dias , se incorporou a “irmandade piratesca”.... o Paulo Ferraz.
Nosso professor do idioma Inglês, nesse período , era o Mr Galloway , e as aulas eram, basicamente , tradução de músicas do John Lennon. A principal foi “ Imagine “.
Confesso que estudei muito , mas o Mr Galloway não era a Miss Linda e acabei sofrendo , novamente com o idioma . sendo aprovado com nota mínima .
O tempo correu rápido e chegou a 1977 , quando depois de formado na Escola Naval no ano anterior , como GM Guarda-Marinha ( aprendiz de Pirata ) embarcamos no Navio Escola Custódio de Melo , iniciando a Viagem de Instrução mundo afora , para entre as muitas atividades , pôr em pratica as matérias ministradas na teoria , navegação astronômica, mecânica dos fluidos entre outras (inclusive o idioma inglês).
Chegamos a Inglaterra , atracando em Portsmouth. A recepção foi calorosa ao som de Banda Marcial (não dos Beatles .. infelizmente ).
Assim que possível , nós “irmãos aprendizes Piratas”, embarcamos “ by train “ para Londres.
A primeira atração foi na passagem de guarda no Palácio de Buckingham . A Praça do Memorial da Rainha Victória em frente estava lotada de turistas ..., mas a Estatua da Victória estava vazia . Como bons Piratas Brazucas , eu e Taketani escalamos a estátua e nos instalamos num ponto privilegiado sendo observado por todos até que um rapaz turista , gostou da ideia e começou a escalar a estátua , quase pisando na máquina fotográfica do Taketani , que comentou em português :
- Se esse cara pisar na minha máquina eu dou uma porrada nele !
- Pô cara ! Não precisa ficar bravo. Eu tomei cuidado . Disse o escalador que era um turista “brazuca” paisano, que tinha gostado da nossa ideia.
Em meio a essa desavença “Vitoriana Brazuca ”, uma voz se destacou :
- Where are you from !!!??? Gritou um Bob da guarda palaciana enfurecido .
- We are from ... Paraguay ! Respondi rapidamente para surpresa geral.
O Bob palaciano balançou a cabeça decepcionado e determinou rispidamente.
- Get down from there immediataly ... or you will be arrested.
Descemos sob aplausos e sorrisos da multidão. Fiquei feliz por ter praticado o meu “inglês” dignamente preservando a dignidade do meu País. (Fiquei com pena do Paraguai ... e pedi perdão intimamente calado).
Rodamos por várias atrações londrinas Bin Ben, London Tower , Westminster até chegarmos na Trafalgar Square, onde quase fomos atropelados por um bando de motoqueiros que andavam pela contra mão ( segundo as regras do DETRAN brazuca).
Essa primeira experiência “inglesa” foi muito boa . Muitos lances e muita cultura para os jovens Piratas que se tornaram inesquecíveis .
O relógio da vida , que não para e anda rápido me levou em pensamento para 1979. Naquele ano , o Pirata , se tornou pai do Denis (primeiro “piratinha marrento “ nascido num hospital de Piratas , o Nossa Senhora da Gloria , no Rio de Janeiro.
No ano seguinte , o Pirata ganhou asas recebendo o breve...Alado no Esquadrão de Instrução voando aeronave Americana Bell Jet Ranger.
e foi enviado para um Esquadrão que operava um Helicóptero legitimamente inglês , quase protótipo , conhecido como LYNX .
O agora Pirata Alado, incorporou um irmão por opção alado , conhecido como Russo Postarek
A partir daí muita coisa mudou . Enfrentamos muitos problemas técnicos com essa impressionante (e perigosa) “Máquina de Guerra Inglesa”. Isso se tornou um desafio “prático” para o meu “inglês macarrônico “.
Foram dias difíceis que enfrentamos com vários incidentes de apagamento de motores (entre outros ) . No entanto isso nos uniu.... e acabamos vencendo o desafio orgulhosamente.
Em 1982 , ao fim da Guerra das Falklands (ou Malvinas ) uma perda de motor em voo operando com os argentinos , nos uniu ainda mais trocando o motor a bordo em tempo recorde , com ajuda do nosso Chefe e novo irmão por opção A. Lima
além de todos do 3° DAE (Destacamento Aéreo Embarcado) do nosso HA-1 ( Esquadrão dos Lynx ingleses da Marinha do Brasil ) para surpresa dos Hermanos Argentinos , derrotados pelos Ingleses.
Em 1983 , a minha linda e querida Piratinha Dani , nasceu em Cabo Frio ... colorindo a minha vida.
O Russo foi enviado para a Inglaterra para um intercâmbio com a Royal Navy , em Weymouth. Fiquei sem meu irmão de Esquadrão.
Para minha surpresa , no ano seguinte (1986) fui enviado para a França , para receber helicópteros por lá , sem falar o idioma francês. Foi um enorme desafio, mas me virei aprendendo o latino idioma francês , mais fácil que o inglês.
Naquele ano , por uma série eventos , tive a oportunidade de realizar um sonho de consumo : Comprei um BMW 320 i vermelho.
No verão do ano seguinte , botei a família a bordo do bólido vermelho ( com o meu casal de “piratinhas”), e seguimos de Aix en Provence na França , para visitar a família Russo Postarek em Weymouth, Inglaterra , 1428 km distante.
Foi uma incrível viagem , quando atravessamos o Canal de Mancha , num ferry boat , entre Calais (França ) desembarcando em Portsmouth (Inglaterra ) de antigas recordações.
Dirigir um carro com volante no lado esquerdo encarando estrada secundária , de mão dupla feitas para carros com direção do lado direito, se torna perigoso e inesquecível. Chegamos sãos e salvos para felicidade geral.
Lá, perguntei ao Russo :
- Qual o limite de velocidade aqui na Inglaterra , não via as placas dirigindo do lado contrário do carro ?
- Barreirão , aqui não tem limite . Na cultura inglesa , todos sabem que é perigoso correr nas estradas pondo em risco a vida de todos . É uma atitude cultural . Disse o Russo orgulhosamente .
- Isso sim é um País desenvolvido culturalmente . Pensei calado.
Curtimos dias maravilhosos até nossa partida com destino a Dover , num domingo ensolarado .
Eu pretendia embarcar num Ferry Boat com destino a Ostende ( na Bélgica ) cumprido o meu planejamento familiar de férias de verão europeu .(já havia comprado o bilhete do Ferry Boat antecipadamente ( mais barato e intransferível ).
Ao chegarmos no entroncamento da Highway M3 , estava tudo parado pelo regresso dominical do litoral para Londres , me atrasando no planejamento de chegada a Dover.
O dia chegava ao fim começando escurecer o dia. Consegui atingir um entroncamento com a M 20 , a noite e acelerei ( já que estava com um carro potente numa estrada perfeita , onde não havia limite de velocidade (segundo meu irmão Russo).
Quando atingi a velocidade de 160 km/hora , já escurecendo, luzes coloridas se acenderam indicando ser a Polícia e que eu deveria parar no acostamento , mantendo as mãos visíveis no volante e aguardando a abordagem policial . Assim fiz .
Uma policial se aproximou com uma lanterna iluminando o interior do meu carro com a outra mão no coldre de uma pistola . Ela indicou a abertura da minha janela . Eu abri , quando ouvi :
- Are you CRAZY ? gritou a policial
inconformada .
Quando tentei responder , ela continuou :
- Give me your documents !...
Entreguei meus documentos tentando mostrar o “ticket do Ferry Boat” e dizendo :
- Sorry ... excuse me . Ms.Officer..., but we’re late for....and my friend Russo said there’s no speed limit...
Tentei me explicar e fui interrompido ... bruscamente .
- Shut up ... and listen .... you will be arrested ....e Bla...bla ... bla ( e continuou gritando sem que eu não entendesse mais nada) .
Nesse momento eu disse pra minha família que eu seria preso... e as crianças começaram a chorar.
A situação se tornou caótica a bordo do “bólido vermelho”. Nesse momento, o outro policial que estava no carro atrás , provavelmente conferindo por rádio (ainda não existia celular ) a situação do meu carro , se aproximou calmamente e todos se calaram e ele disse pausadamente em voz compreensível :
- Sir, you are note late... I will release you, and then you will continue your journey at a speed of 100km/h to Dover. Bording the ferry , you will leave England... and never return. If you will be ARRESTED. Say if you understood by repeating this order !
- Yes ! Disse repetindo a ordem e complementei ...- Thanks Sir !
Embarcamos para Ostende sem problema. Quando o Ferry se afastava eu olhava para a terra pensando :
- Nunca mais volto pra Inglaterra !
Eu não imaginava como estava errado , mas estava feliz por me comunicar com meu inglês macarrônico ...kkkk . Afinal , como dizia o “filósofo popular brazuca “ ( Chacrinha ) :
- Quem não se comunica ... se TRUMBICA !
Foi a “segunda “ vez que eu fui ameaçado de “CADEIA “ por um policial inglês. Havia me tornado !” Persona non grata “ num país estrangeiro ( semelhante a um certo Presidente Brasileiro , atualmente ..., mas essa ... é outra estória ... deixa pra lá )
O relógio dos meus pensamentos me transportou para 2006.
Naquele ano , meu inglês passou a ser mais exigido . Havia passado para a reserva da Marinha e contratado para operar alguns helicópteros a bordo de Iates com capacidade de operar helicópteros , executivos ... por todo o planeta Terra.
O controle aéreo internacional é executado no idioma inglês. Para tal tive que comprovar a minha proficiência em tal idioma na Diretoria de Aviação de Bermudas . A aeronave que voava então AS 350 B2 era com matrícula daquela ilha Caribenha , que faz parte da “Commonwealth” (Associação voluntaria de 56 países independentes ,de língua inglesa). Essa Associação facilita toda burocracia entre os 56 países.
Assim sendo , tecnicamente, meu inglês me permitiu voar por muitos países. No entanto, a diferença de pronuncias , como as da Nova Zelândia , do Texas nos EUA , ou países asiáticos como Tailândia , Malásia e ... até a Índia , criavam pequenas dificuldades em voos visuais . (nada que tenha causado problemas sérios de “comunicação”.)
O problema surgiu quando tive que voar da Suíça (falando francês que dominava desde quando morei na França ) e tive que ir a Londres porque a minha aeronave, tinha matrícula Bermudas “Commonwealth”, para fazer uma importação temporária na Europa para cumprir missões durante o verão europeu.
Lembrei que era “persona non grata” na Inglaterra , ameaçado há anos. Poderia ser “arrested”...como me prometeu a Polícia Rodoviária Inglesa em 1987.
Arrisquei sem falar nada para o meu patrão ...mas , na dúvida , contratei uma “pilota” suíça Caroline (qualificada no modelo) para agir como “Co-piloto navegadora” . Caso eu fosse preso , ela poderia trazer o helicóptero de volta para Cannes, na França onde seria⁷ a minha Base de apoio de manutenção.
Decolamos de Genebra sem problema , falando francês. Pousamos em Spa Francorchamps para abastecermos e cruzamos o Canal da Mancha (pela primeira vez em voo) . Foi emocionante pra mim quando sobrevoamos Portsmouth (minha antiga conhecida de outros tempos) dando nossa entrada em voo na Inglaterra , com destino a Londres . Até aí , permitiram a minha entrada voando até que , emocionado transmiti :
- Heathrow ... Good morning.
Helicopter visual AS 350 VP – BFL... from Spa-Francorchan to Stansted...with 3 on board...15 minutes out...maintaining 1000 feet...1hour endurance ....Transponder xxxx ....request instructions....VP-BFL.
- VP-BFL...Heathrow ...Good morning....
Maintain visual ...and call Stansted....
Have a good flight. O Centro Heathrow ordenou.
Pousamos em Stansted. Cortei o motor e aguardei as consequêcias.
Um senhor se aproximou e pediu a documentação . Se apresentou como Agente aeronáutico local e disse que na manhã seguinte, a entrada na Europa do VP-BFL e sua tripulação, estaria pronta mediante ao pagamento das taxas correspondentes por cartão . Disse o valor e puxou a maquininha .
Paguei e ele disse que as reservas do hotel próximo já estavam feitas , se oferecendo – para o transporte , que aceitamos .
Nos instalamos . Eu , Humberto (nosso mecânico) e a Carolina (co pilota suíça) jantamos e no dia seguinte decolamos de volta , abastecendo na Bélgica e depois pousamos em Cannes na França. Minha base na Europa , onde um Agente aeronáutico local inglês havia programado e feito o planejamento rápido, eficiente ...e menos caro.
Eu estava pronto para iniciar a temporada verão de 2006…aliviado com o meu “inglês macarrônico” … satisfeito por ter deixado de ser “Persona non Grata “ na Inglaterra .
Depois dessas experiências , mais tranquilo , voltei a Londres algumas vezes trabalhando e convivi com vários tripulantes dos Iates que operei , inclusive dos 4 Comandantes " anglo fônicos" gringos que passaram pela Nau Pirata MY Karima , onde o idioma profissional era o Inglês …., porem as decisões eram tomadas em bom portugues” curto e direto …entre os proprietários brasileiros … e este Pirata Alado que vos fala.
Nas Ilhas mais afastadas na Polinésia Francesa , o idioma inglês não ajudava muito. Para voar por lá o piloto deve ser proficiente no idioma francês. Caso contrário tem que contratar um copiloto que se comunique no idioma local. Os controladores " Maoris" das Torre de Controle nessas ilhas não falavam inglês. O Pirata Alado não precisou de copiloto.
Afinal …
“Manda quem Pode e obedece quem tem juízo “
E
"Quem não se comunica … Se TRUMBICA !
God save The King
( and Pirates )
Dear readers, thank you for your company on board.
Fraternal hugs from your WINGED PIRATE
Demais...Sereia
ResponderExcluirQuerida Sereia ... Demais.
ExcluirObrigado pelo comentário .... de menos....eram outros tempos....
"Teachers Lindas"....são comuns...no entanto " Sereias de Piratas Alados...são " raríssimas ".
(me sinto privilegiado de ter uma ao meu lado)😇
Hoje , as noites insonas me fazem recordar...e curtir.
Lembrar ... me faz viajar em pensamento. Isso me diverte...
Beijo carinhoso piratesco.
Muito bom, meu caro Pirata Alado!
ResponderExcluirSe eu soubesse, poderia ter feito parte dessa história, na temporada verão 2006, já que eu estava nas terras outrora navegadas por esse Pirata e sobrevoadas por seu irmão Russo. Teria sido uma honra e passagem inesquecível junto ao estimado Pirata e sua equipe.
Que venham outras oportunidades! No Planalto, nas terras santistas ou em qualquer lugar do Commonwealth!
Meu fiel seguidor e comentarista Voulga.
ExcluirBom tê-lo a bordo... como sempre.
Aquela temporada de 2006...foi um grande desafio, voando uma aeronave nova, mono...e operando na Europa sozinho falando inglês... em diversos países.
Se soubesse que você andava por lá...certamente ...teria pedido um " help" algumas vezes.
Aprendi muito ... o que meu deu confiança ao sair da Europa..encarando o Atlântico, Pacífico...e Índico .
A Commonwealth ajuda muito , na burocracia.
Obrigado pelo comentário .
Fraterno braço ( meu jovem irmão Lince por opção, também)