sábado, 9 de maio de 2026

Pirata ... e o HA-1

 


Amigos da Pirataria Alada...
"Arriba, abajo, al centro, adentro"
HA.... Arrrrr


Há 48 anos nascia o ° Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Anti Submarinos (HA-1). Com o passar do tempo ele perdeu o especifico “Anti- Submarino “ para se tornar “esclarecedor e predador” de qualquer inimigo que ousasse  causar ameaça aos nosso enorme país.

Hoje posso garantir que essa unidade aérea militar marcou minha existência como cidadão , quando tive a sorte de ser direcionado para fazer parte deste “privilegiado “ grupo . Isso ocorreu há 46 anos. A partir daí , tudo o que ocorreu nestes últimos 46 anos moldaram , tanto minha vida profissional , como minha vida privada.

São muitas fases marcantes e muitas lembranças que geraram momentos inesquecíveis comprovadas por imagens fotográficas ou imaginadas pela IA (Inteligência Artificial)... e é dessa forma que pretendo contar esta história :

Era uma vez um Primeiro Tenente da Marinha do Brasil , que depois de ter se tornado Aviador Naval , foi indicado para servir no (na época)” temível HA-1”.



Temível porque operava desde sua criação os helicópteros Westland Lynx WG 13 Lynx.(SAH-11) . Essas aeronaves eram “quase” um protótipo com vários problemas . Eram moderníssimas para época . Eram equipadas com equipamentos eletrônicos pouco conhecidos por nós e motores únicos Rolls Royce GEN 2. Os problemas de manutenção se avolumavam , desde rachadura de para-brisas em voo , vazamentos de óleos e fluidos em várias situações e principalmente “apagamentos “de motores em voo . Daí o adjetivo de “temível” do HA-1.

Me apresentei no Esquadrão e fui indicado a aguardar na antessala da Câmara do Comandante. Quando lá cheguei havia um Capitão de Corveta sentado aguardando , também para ser apresentado ao Comandante Frederico ( primeiro Comandante do Esquadrão) .
Reconheci o Corveta ao meu lado e me emocionei. Ele era uma “lenda” perante os jovens pilotos recém-formados como eu . No pouco tempo que ficamos na espera o constrangedor silêncio foi quebrado por mim .

- Comandante ... eu conheço o Senhor do Castelinho , quando eu era Aspirante da Escola Naval , e via o senhor sempre sentado sozinho numa mesa e nunca tive coragem de me aproximar . Sabia que o senhor era uma lenda e sempre quis ser como o Senhor . Um Aviador Naval ...e agora estou sentado ao seu lado para servir sob suas ordens como meu Imediato.

 Ele se emocionou e quando agradeceu e ia falar algo ... a porta da Câmara se abriu e fomos convidados pelo Comandante Frederico a entrar e nos apresentarmos formalmente .

Foi uma apresentação rápida e saímos cada qual pra conhecer suas funções.
Eu, como mais moderno oficial fui designado para o Departamento de Administração ( ou seja, cuidaria de papelada burocrática). Confesso que não gostei.

Iniciei rapidamente o ground scool daquela aeronave “ perigosa “. Ao longo das aulas teóricas comecei a gostar daquela “ máquina “ . Melhor que a máquina, conheci aqueles pilotos colegas , cada qual, com suas preocupações ( que não eram poucas ) mas comecei a perceber que todos se orgulhavam de pertencer àquele Esquadrão “ diferenciado” em relação aos outros. Os desafios operativos e de manutenção os distinguiam na “ macega”.
Durante os voos de qualificação,  aprendi com os " mestres" instrutores ( cada qual com sua característica particular) a dominar aquela " fera mecânica alada" ). As reações rápidas, as manobras evasivas radicais, a atenção aos instrumentos noturnos a baixa altitude em voos rasantes sobre o mar .. e os pousos a bordo de navios balançantes em mares bravios.
Era uma atividade emocionante e de precisão. 

O , recém assumido, Imediato usava o seu macacão ajustado que o deixava mais ... elegante. Logo assumiria o Comando interino até a chegada do novo Comandante.

Muitas coisas se passaram ,muitos embarques mesmo com dificuldade de manutenção e alguns incidentes por apagamento de motores.

 Muitos mais antigos desembarcaram sendo substituídos por outros oficiais mais antigos que eu , indicados pelo Comandante interino. Fui qualificado como piloto de teste e remanejado para a Divisão de Material ( com todos seus problemas logísticos ) . Foi uma grande escola administrativa pra mim . Acabei voando muito e aprendendo muito.

Alguns pilotos desembarcaram por contingência de carreira e alguns em busca de melhor remuneração na vida civil. 
O novo Comandante chegou , e o Comandante Interino voltou a ser Imediato. Vivíamos o período auge dos problemas da nossa “ máquina de guerra “. O novo Comandante, vindo da Inglaterra , tomou uma corajosa decisão: parar  as atividades operativas e aguardar soluções técnicas do fabricante visando a confiabilidade dos motores. Assim foi feito e em paralelo adotamos a configuração de DAE ( Destacamento Aéreo Embarcado ) no padrão semelhante aos usados na inglesa Royal Navy. Funcionou por algum tempo, mas se mostrou impossível de ser implantada na Marinha do Brasil pela dificuldade de prover a logística semelhante aos ingleses.
O meu 3* DAE foi marcante nessa época.  Era um time que jogava por música, com integrantes de altíssimo nível.

Os “apagamentos” de motores continuaram. Depois de cerca de 3 anos , deixei de ser o “ mais moderno aviador do Esquadrão”. Assumi a Divisão de Controle de Qualidade , e cursei o CENIPA e assumi como Oficial de Segurança de Aviação, infelizmente logo após o primeiro acidente com uma de nossas 9 aeronaves SAH- 11. A aeronave fora arrancada do convés da Fragata Niterói, numa tempestade marítima por uma onda demasiadamente poderosa numa noite complicada , no través do Cabo de Santa Marta da costa Catarinense. Os três tripulantes, foram milagrosamente resgatados com poucos danos , mas Netuno ficou com o nosso Lynx 3020 , naquele mar revolto noturno.

O tempo passou rápido, muitos embarques e voos, foram realizados , alguns apagamento de motores ocorreram com pousos em emergência com sucesso realizados inclusive a bordo em períodos noturnos.

Em 1986, fui enviado para França , para minha surpresa, para receber aeronaves na Aerospatiale e testar o concorrente ( Dauphin Naval), na concorrência para substituição dos SAH-11.

O Dauphin foi reprovado e a concorrência foi vencida pelo Super Lynx , que viria a ser conhecido como AH-11 A.



Depois de 2 anos na França e mais 2 na DAerM, fui enviado para ser Encarregado da formação de pilotos da Marinha e do Exército, ( a minha revelia ) no CIAAN ( Centro de Instrução e Adestramento da Aviação Naval). Continuei voando no HA-1, agora como “ pé preto”( oficial extra Esquadrão, mas qualificado no modelo SAH-11 ). Foram mais 2 anos , quando distante das obrigações administrativas , estava disponivel servindo operativamente ao HA-1.


Fui cursar na EGN ( Escola de Guerra Naval ). Já formado fui enviado para ser GDT ( Grupo de Desenvolvimento de Tática) do Comando da Força Aeronaval. Foi mais um ano como “ pé preto” do que, sempre considerei egoisticamente o " meu Esquadrão “. Nessa época, juntamente com um amigo Engenheiro Naval, desenvolvemos o “ envelope de pouso para os Lynx , nas novíssimas Corvetas classe Inhaúma , fabricadas no Brasil.



Por uma série de motivos, 1 ano depois fui enviado para Brasília, para ser o Aviador da Marinha, no Estado Maior do COMDABRA ( Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) , novamente a minha revelia. Foram mais 2 anos distantes do “ meu “ Esquadrão . A saudade , me inspirou a resgatar das profundezas abissais a “Lenda do Sangue do Lince “ que ajuda a fortalecer a atitude de novos Linces.

Cumprida a minha missão depois de 2 anos , em Brasília, pedi para ser enviado para São Paulo ( meu Estado de nascença).

Fui atendido pelo Ministro Mauro César, ex-comandante da Fragata Independência, que havia me recolhido em emergência, por duas vezes , mono motor por apagamento de um dos GEN 2, problemáticos ( uma diurno e outra noturno... as duas sem danos materiais ou humanos). Nós , o Ministro e eu , já nos conhecíamos em situações de emergências . Pedi a ele minha transferência para São Paulo , por motivos particulares . Ele me atendeu .
Foram dois ano na Capitania dos Portos de São Paulo , com sede em Santos.


Foi uma missão espinhosa , acumulando tarefas de fiscalizações diversas . Como Polícia Naval, implantei a fiscalização aérea feita por helicópteros durante os períodos críticos de verão. Foi um grande sucesso na época para desespero dos infratores .

De Santos , finalmente com missão cumprida, fui enviado de volta para o “ meu “ Esquadrão. Agora de fato “ meu “ Esquadrão, como seu Comandante.!

Foi 1 ano incomparável . Tudo deu certo. Assumi recebendo 14 Super Lynx, novíssimos AH- 11 A . Muitos embarques, muitas horas de voo e uma tripulação selecionadíssima, ( inclusive alguns Aviadores de quem eu havia sido encarregado da formação no CIAAN), além de ter um 1° Escudeiro (Imediato) fiel amigo de tantos voos anteriores.

Recebi o Comando do meu verdadeiro irmão Russão. Tive a sorte, por ter comandado sem haver nenhuma perda material ou humana , nesta atividade de alto risco. 

Nessa época tive a oportunidade, de inaugurar o Heliponto, do 8 Distrito Naval, na minha cidade natal, São Paulo. 


Pude representar o meu Esquadrão da Marinha oficialmente, na Formatura de primeiro ano do meu filho Denis, no ITA, no comando do Super Lynx N – 4001, pousando no CTA ( Centro Tecnológico Aeronáutico) em São José dos Campos. 

Comemorei os 20 anos do HA-1 , ao lado da minha Sereia , depois de uma formatura histórica em voo com 5 Lynx e mais 4 embarcados.

Passei o meu Esquadrão para outro amigo Lince de primeira linha , como se fosse o meu filho . Me emocionei ao cumprimentar cada um daqueles militares e civis que estiveram sob minha responsabilidade.


Fui enviado para outro desafio em São Paulo. Administrar o projeto militar mais importante do País, o desenvolvimento da tecnologia de um Submarino movido a energia nuclear . Lá, depois de um ano , percebi que estava profissionalmente realizado, e que não me curvaria aos desmandos políticos emitidos por um “ politico” incompetente nomeado para ser o Ministro da Defesa. Estava pronto para pegar o meu chapéu e pendurar a farda ( e macacão de voo) .

Assim fiz, com a sensação do dever cumprido e com orgulho de ter Comandado a unidade militar de elite, reconhecida internacionalmente como

A Toca dos Linces Brasileiros...o HA-1.


Na vida civil , completei minha satisfação, depois de ser contratado por um civil competente , cuja referência principal para me contratar era que eu possuía a cara do Lince incrustrada no coração...eu era um ... Lince (não tenho dúvidas sobre isso) .


A todos que tiveram o privilégio de servirem , nessa unidade de elite aeronaval brasileira , independente de posto, graduação , militares ou civis e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram nestes 48 anos para nos orgulharmos do resultado que podemos ostentar hoje . 
Devemos isso , também , àqueles que nos deixaram e partiram para as estrelas que nos observam e nos guardam.

Parabéns pelos 48 anos do “NOSSO” HA-1



“ Invenire Hostem et Delere",

A nossa verdadeira "Lenda Viva "

Almirante Frederico, primeiro Comandante do HA-1 , que forjou nosso ambiente profissional , meu particular, agradecimento.


A todos os outros Linces, independentes de títulos, postos , graduações ou tipo de atividades, meu agradecimento pela amizade e ensinamentos transmitidos de forma fraterna.

Parabéns a todos que escreveram, escrevem ou virão a escrever a história do 

NOSSO
HA-1 

Vida longa a ele...

 Sem a influência e convivência com todos jamais existiria o .....

Pirata Alado



Fraterno abraço...a todos 



2 comentários:

  1. Bravo zulu amigo Zé ! Beijundas

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    1. Ai sim ....obrigado pelo comentário meu " irmanaço " Pirata Santa ...Anônima .
      Beijunda... e se cuida .
      Valeu Santa

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Estou tentando regularizar "os comentários postados"
Solicito que os comentários tenham identificação no próprio texto.
Obrigado.👍👍
Pirata Alado