quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Veterano ... e os Macacos

 



Amigos da Pirataria Alada ... 
meu cordial .... Olá. 
( num dia horroroso de chuva , foi o máximo que consegui imaginar como cumprimento)

Depois de um período " de retiro espiritual meditativo" , além de não ter nada de útil para fazer , resolvi escrever besteiras para me distrair.
Não aguento mais ver televisão com propaganda eleitoral e escândalo de juízes/políticos corruptos sem poder fazer nada para mudar a cultura brasileira , em geral, sobre o assunto já que não acredito em " Papai Noel " .
Assim sendo , resolvi contar uma história sobre macacos em geral, que tive a oportunidade de conviver ao longo desta minha "setentária " (70+) existência. 
Tudo começou , quando ainda criança ganhei um boneco de pelúcia que batizei simplesmente de " Zé Macaco ".



Meu macaquinho Zé me acompanhou até a adolescência quando resolvi entrar para o Colégio de Piratas . Passei no concurso e em 1971 comecei uma nova vida isolado em Angra dos Reis. O Zé Macaco não foi comigo . Imaginei que se o levasse comigo , meus novos amigos adolescentes poderiam me apelidar de  “franga filhinho de papai “. Naquela época vivíamos um período de liberdade social onde apelidos eram comuns e engraçados . Me apelidaram de “Pato Rouco “ que acabei encarando com naturalidade e acabou me inspirando a criar um personagem no jornalzinho Gingilin , que comecei a desenhar : Era o Patelho (Pato Pentelho ) ... 



Havia vários apelidos engraçados :

Veruska, Bonitão , Bonacha, Cabeça , Louco, Mironha , Caroço , Picolé, Cachaça , Chacrinhoca (mistura de Chacrinha com Minhoca), Camelo e até Macaco entre tantos outros . Todos bons amigos, “irmãos por opção “, que formaram caráter próprios em meio as dificuldades naturais de um estabelecimento de ensino em tempo integral . Excessos eram cometidos e punidos na forma das regras . Eram tempos em que havia liberdade de expressão. O povo era feliz . Criminosos eram caçados e punidos , tipo : assaltantes de Banco , sequestradores de Embaixadores ... invasores de terras ... e etc.
Havia contraventores conhecidos como " bicheiros" mas, nada como hoje conhecemos por siglas PCC, CV....MST...e outras menos votadas.
 Pouco se falava de Tribunal Supremo que funcionava sem muito “marketing “ midiático.

Depois de 6 anos convivendo nos bancos escolares , viajamos mundo afora onde muitas situações pitorescas foram vivenciadas . Nos formamos e cada qual partiu para sua vida profissional pelos quatro cantos do País . Eu fui enviado para a Amazonia (aquela verde mesmo não a atual Azul ).
Navegando por rios intermináveis , morava numa casa com quintal em Manaus. Nas intermináveis viagens atendendo ribeirinhos esquecidos pelo resto do País , ganhávamos vários animais em agradecimento pela atenção.
Certa feita fui presenteado, como agradecimento de uma família de ribeirinhos pelo tratamento dado ao filho adoentado , com um Macaco Prego , comum na região. Construí uma moradia sobre uma pequena arvore do quintal da minha casa . Batizei o macaco prego de Zé Macaco (como não podia deixar de ser ) .


Este novo Zé Macaco era um animal de verdade (não de pelúcia ). Para quem não conhece essa raça de macaco (prego) sugiro que pesquisem o assunto . Ele era muito “folgado” com outros animais e um dia ao folgar com um cachorro “vira-latas” mais bravo que ele ... encontrou seu fim , infelizmente ! Fiquei triste. 

O tempo passou e acabei entrando para Aviação Naval . Aí sim... tive contato com meu primeiro “Macacão”. Esta indumentária profissional , veio acompanhada de Capacete , luvas e botas. Tudo para que eu aprendesse a voar .

-.... mas e as Asas ? ( me perguntei ).

- Você vai ter que conquistar usando isso para sua segurança ! Me respondeu o encarregado do curso.

Fiquei pensando :

- é verdade ... se o saudoso Zé Macaco “prego” tivesse usando esse equipamento não teria se dado mal nos seus voos entre um galho e outro !

Paramentado consegui ganhar minha asa e fui enviado para voar um Lynx . Me incorporei ao Esquadrão de Linces.


Os Linces não eram " macacos " mas também voavam pulando sobre terras e Mares. Gostei deles também. 
Nessa nova casa de Linces o que mais me incomodava não era o “macacão” ...eram as Luvas ! 
O tal de Lynx exigia muito dos dedos (daí a proteção das luvas) . Tinha um tal de “trim.”que a gente tinha que manipular o tempo todo com o dedão . Era um botão móvel e áspero projetado pra a gente voar “trimado”. Resultado depois de algumas mil horas de voo , a luva , do dedão da mão direita ...furava e assim ficava ( eu achava melhor “trimar “ com luva furada. Dava mais “sensibilidade na “trimada” ) .

Já de luva furada , fui enviado para França para receber umas aeronaves que não precisavam de trim. Tinha mais botão para apertar para dar ordem ao Piloto Automático ( não furava a luva) .


 Foi legal porque levei meu “macacão “ para passear nos Alpes . Ele adorou  posar pra foto em Mon Blanc .

Meu “macacão” estava com saudade do “trim” dos Lynx e depois de algum tempo vivido no “planalto central” sem passear com o “macacão” só vendo engravatados ungidos se escondendo em carros blindados de lá pra cá (não sei por que) , voltei pra beira mar e andei salgando o “macacão” vez por outra (entre uma rodada de baiana portuária e outra) pela costa marítima paulista.

Enfim fui mandado para Liderar os Linces , com minha luva furada .



Me realizei e meu “macacão” ficou feliz , depois de cumprir a missão e resolveu virar “peça de museu “, junto com minhas luvas !


Comecei uma nova vida ...alada , sem “macacão”. Sem “macacão" mas, com os macacos me perseguindo.

Fui contratado para voar um “ Colibri “ pela aí...a bordo de Iate rápido. Eu e o Colibri nos demos bem mas ele era prateado e não dava pra chamar de “ Macaco “. Voamos juntos por alguns anos sem macacão e sem luvas ... passeamos pelo Caribe e pela costa brasileira , até que surgiu uma novidade.



Me foi proposto voar pelo mundo um Esquilo que seria meio verde acinzentado com um rabo ( cauda ) vermelha . Bingo ! Tipo assim um Babuíno do mar . . 


Como não podia deixar de ser, batizei-o como SeaBaboon


Saltamos juntos pela Europa . Cruzamos o Atlantico até a Patagonia . Atravessamos o Deserto do Atacama e nos esbaldamos pelo Pacifico e suas exóticas milhares de ilhas . Andamos pela Asia para conhecermos um raro primo em Borneo... Macaco Probosis... o “narigudo”.


Essas aventuras terminaram na Australia onde vimos muitos animais e muitos Cangurus , que também pulam meio que nem macacos, mas não voam ... entre galhos ou sobre as águas ... que nem os Macacos.

Assim sendo , é fácil admitir que :
Nós “humanos” , somos .... oriundos de Macacos.
A Sociedade Civilizada atual comprova isso !

Do jeito que a coisa vai ...  vamos acabar virando o País dos Macacos


Forte abraço do Vosso ...Pirata Alado ...
 e seu parceiro o saudoso Sea Baboon .