Amigos da Pirataria Alada ... meu cordial Bom dia ... e Boa viagem
Hoje num dia chuvoso que não recomenda uma caminhada meditativa praiana , resolvi fazer meditação da minha janela mesmo , observando a praia sem sol .
Ontem fiz uma visita a Sampa (cidade de São Paulo para os íntimos ) revivendo muitas recordações , ao passar pelo Campo de Marte ,
pela centenaria Estação da Luz ( que foi terminal ferroviário ) e o terminal rodoviário nos anos 60/70.
Essa visita paulistana de ontem , me incentivou a contar esta história que pode até explicar como um “paulistano nato se torna um Pirata Alado.
A via Dutra (oficialmente , hoje conhecida como trecho da BR-116) que liga São Paulo e Rio de Janeiro , assim é descrita na internet :
Inauguração (1951): Foi uma das primeiras rodovias totalmente asfaltadas do país, inaugurada na gestão de Getúlio Vargas, mas nomeada em homenagem ao presidente Eurico Gaspar Dutra.
Duplicação (1967): A rodovia foi totalmente duplicada na década de 1960, finalizada em 1967, durante o regime militar, tornando-se fundamental para a integração econômica.
Concessão (1996): Em março de 1996, a CCR NovaDutra assumiu a administração da via, modernizando-a após um período de deterioração.
Impacto Econômico: Atravessa 36 municípios, incluindo o Vale do Paraíba, servindo como a principal artéria logística do país e impactando mais de 23 milhões de pessoas.
Nova Concessão: Atualmente, a rodovia passa por novas melhorias para modernização e aumento da segurança.(atrasada há pelo menos 30 anos)
Pois então , a Dutra uniu de forma rodoviária paulistas e cariocas de fato, a tal ponto que , um “caipira paulista” militar de aviação da Segunda Grande Guerra e uma professora “carioca da gema “, se conheceram num baile do Tijuca Tenis Clube no Rio de Janeiro . Essa união produziu em 1954 o projeto do que viria a se tornar o “Pirata Alado”.
Nascido (e residente ) no Campo de Marte , próximo ao Terminal Rodo ferroviário da Luz , a família meio carioca e meio paulista , fazia uso tanto de ônibus da Viação Cometa , quanto dos trens conhecidos como “ Trem de Prata “ para as visitas familiares , nos dois extremos da Dutra.
A criança , produto de influencias “mistas” daquele casal , admirava as “fardas” dos condutores daquelas máquinas , fosse trem ou ônibus , que rodavam nos trajetos semelhantes pelos vales do Rio Paraíba , com paisagens deslumbrantes , fossem Serras altíssimas ( Itatiaia ) ou fazendas coloniais de café que produziam a principal riqueza do grande País ( o café).
Por vezes pegava caronas nos aviões da FAB partindo do Campo de Marte com destino , principalmente ao aeroporto Santos Dumont , quando eu ficava deslumbrado com a vizinha Escola de Piratas instalada , na ilha forte que homenageia o Corsário invasor Villegagnon.
Eu adorava as máquinas e as fardas dos diversos condutores . A farda que eu mais gostava era as dos condutores do ônibus “ morubixaba da Cometa “, que era azul ( a minha cor predileta , tanto do céu quanto do mar ).
A dos condutores dos aviões da FAB , era bege (na época ) .
Dos trens de prata eu não via , porque eles ficavam longes do meu visual . Quando os “morubixabas” se cruzavam na Dutra (mão dupla ) piscavam os faróis , tocavam a buzina e faziam sinais codificados com as mãos , indicando as condições da estrada . Eu ficava maravilhado e pensava :
- É isso que quero ser ... quando crescer !
Quando a farda da FAB mudou a cor para Azul ... mudei de opinião quanto o meu futuro de “condutor de máquinas “ .
Troquei o Ônibus por Aviões . Hoje , creio que foi uma boa ideia , na época .🤔
Voltando a minha última visita a Sampa , convidei o querido casal de amigos (Sandra e Marcelo) a nos acompanharem ( Sereia & Pirata ) para degustarem , a pizza de muçarela mais deliciosa de Sampa , acompanhada de uma salada da casa “única” na Pizzaria “centenária” ao lado da igreja matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó , no alto do morro da Freguesia do Ó, com visual deslumbrante de Sampa .
A pizzaria do Bruno (amigo do meu pai ) que frequentávamos aos domingos desde minha infância . Foi um almoço sentimentalmente e de fato “delicioso “ socialmente ,visualmente e saudosamente.
Havíamos antes comparecido ao prédio do 8° Distrito Naval , para confecção da nova identidade de Marinha , para atualizar a minha “ promoção” de Reserva Remunerada para Reformado .
Foi outra visita emotiva pra mim porque foi naquele prédio , além de inaugurar o heliponto , com meu Super Lynx , me despedi da vida ativa na Marinha em cerimônia no Salão Nobre . Foi uma agradável visita ao 8°DN .
No retorno a Santos , cruzamos de carro a minha enorme cidade natal , e seu intenso e organizado , porém vagaroso, trânsito paulistano .
Os “engarrafamentos”, me permitiram desfrutar da exposição artística a céu aberto dos painéis pintados nas estruturas de muitos prédios , como hoje tem sido adotado em muitas grandes cidades do mundo . Sampa não fica atras de outras em termos de quantidade e qualidade artística dessa nova pratica .
- ... mas Pirata , o que tudo isso tem a ver com o Pirata e a Dutra ?
- Ora tem tudo a ver ... Urrra Mêu !
Os primeiros Piratas/Corsários que invadiram o Brasil (de acordo com o livro “Piratas no Brasil” ) a área preferencial para tais invasões (entre outras ) , eram as “águas abrigadas da nossa costa “ como a Baía da Guanabara e da Baía de Santos. Desembarcados em qualquer uma das duas , expandiam suas apreensões e roubos por vias terrestres , utilizando “trilhas” do planalto do vale do Rio Paraíba que uniam a riqueza produzida por paulistas ao Poder do Império dos cariocas , no mesmo trajeto do traçado onde rolam as máquinas terrestres da trilha hoje conhecida como Via Dutra.
Se os Piratas daquela época já usavam a Dutra , por que este Pirata novo não pode contar estórias novas sobre a mesma trilha velha ?
Dito isso , desde 1971 , passei a utilizar a Dutra , conduzindo uma máquina vestindo uma farda azul , de acordo com minha pretensão infantil . A máquina era um Fuscão azul marinho . A farda era Azul do Jaquetão da Marinha . O destino era a primeira escola de Piratas , o Colégio Naval em Angra dos Reis ( naquela época não existia a Santos – Rio , alternativa de acesso rodoviário a Angra dos Reis ). Em 1998 , ainda continuava conduzindo máquinas pela Dutra para visitar o filhão Pirata de farda azul , cursando o ITA em São José dos Campos .
Imaginem só .... se não existisse a Dutra. O Pirata Alado ... nem existiria !
CQD
( como diriam os matemáticos antigos )
Aos caríssimos leitores ... um fraterno abraço agradecendo pela leitura do vosso ...
Pirata Alado
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Pirata Alado