Amigos da Pirataria Alada ...
meu cordial .... Olá.
( num dia horroroso de chuva , foi o máximo que consegui imaginar como cumprimento)
Depois de um período " de retiro espiritual meditativo" , além de não ter nada de útil para fazer , resolvi escrever besteiras para me distrair.
Não aguento mais ver televisão com propaganda eleitoral e escândalo de juízes/políticos corruptos sem poder fazer nada para mudar a cultura brasileira , em geral, sobre o assunto já que não acredito em " Papai Noel " .
Assim sendo , resolvi contar uma história sobre macacos em geral, que tive a oportunidade de conviver ao longo desta minha "setentária " (70+) existência.
Tudo começou , quando ainda criança ganhei um boneco de pelúcia que batizei simplesmente de " Zé Macaco ".
Meu macaquinho Zé me acompanhou até a
adolescência quando resolvi entrar para o Colégio de Piratas . Passei no concurso e em 1971 comecei uma nova vida isolado em Angra dos Reis. O Zé Macaco
não foi comigo . Imaginei que se o levasse comigo , meus novos amigos
adolescentes poderiam me apelidar de
“franga filhinho de papai “. Naquela época vivíamos um período de
liberdade social onde apelidos eram comuns e engraçados . Me apelidaram de
“Pato Rouco “ que acabei encarando com naturalidade e acabou me inspirando a
criar um personagem no jornalzinho Gingilin , que comecei a desenhar : Era o
Patelho (Pato Pentelho ) ...
Havia vários apelidos engraçados :
Veruska, Bonitão , Bonacha, Cabeça , Louco, Mironha , Caroço , Picolé, Cachaça , Chacrinhoca (mistura de Chacrinha com Minhoca), Camelo e até Macaco entre tantos outros . Todos bons amigos, “irmãos por opção “, que formaram caráter próprios em meio as dificuldades naturais de um estabelecimento de ensino em tempo integral . Excessos eram cometidos e punidos na forma das regras . Eram tempos em que havia liberdade de expressão. O povo era feliz . Criminosos eram caçados e punidos , tipo : assaltantes de Banco , sequestradores de Embaixadores ... invasores de terras ... e etc.
Havia contraventores conhecidos como " bicheiros" mas, nada como hoje conhecemos por siglas PCC, CV....MST...e outras menos votadas.
Pouco se falava de Tribunal Supremo que funcionava sem muito “marketing “ midiático.
Depois de 6 anos convivendo nos bancos escolares , viajamos mundo afora onde muitas situações pitorescas foram vivenciadas . Nos formamos e cada qual partiu para sua vida profissional pelos quatro cantos do País . Eu fui enviado para a Amazonia (aquela verde mesmo não a atual Azul ).
Navegando por rios intermináveis , morava numa casa com quintal em Manaus. Nas intermináveis viagens atendendo ribeirinhos esquecidos pelo resto do País , ganhávamos vários animais em agradecimento pela atenção.
Certa feita fui presenteado, como agradecimento de uma família de ribeirinhos pelo tratamento dado ao filho adoentado , com um Macaco Prego , comum na região. Construí uma moradia sobre uma pequena arvore do quintal da minha casa . Batizei o macaco prego de Zé Macaco (como não podia deixar de ser ) .
Este novo Zé Macaco era um animal de verdade (não de pelúcia ). Para quem não conhece essa raça de macaco (prego) sugiro que pesquisem o assunto . Ele era muito “folgado” com outros animais e um dia ao folgar com um cachorro “vira-latas” mais bravo que ele ... encontrou seu fim , infelizmente ! Fiquei triste.
O tempo passou e acabei entrando para Aviação Naval . Aí sim... tive contato com meu primeiro “Macacão”. Esta indumentária profissional , veio acompanhada de Capacete , luvas e botas. Tudo para que eu aprendesse a voar .
-.... mas e as Asas ? ( me perguntei ).
- Você vai ter que conquistar usando isso para sua segurança ! Me respondeu o encarregado do curso.
Fiquei pensando :
- é verdade ... se o saudoso Zé Macaco “prego” tivesse usando esse equipamento não teria se dado mal nos seus voos entre um galho e outro !
Paramentado consegui ganhar minha asa e fui enviado para voar um Lynx . Me incorporei ao Esquadrão de Linces.
Os Linces não eram " macacos " mas também voavam pulando sobre terras e Mares. Gostei deles também.
Nessa nova casa de Linces o que mais me incomodava não era o “macacão” ...eram as Luvas !
O tal de Lynx exigia muito dos dedos (daí a proteção das luvas) . Tinha um tal de “trim.”que a gente tinha que manipular o tempo todo com o dedão . Era um botão móvel e áspero projetado pra a gente voar “trimado”. Resultado depois de algumas mil horas de voo , a luva , do dedão da mão direita ...furava e assim ficava ( eu achava melhor “trimar “ com luva furada. Dava mais “sensibilidade na “trimada” ) .
Já de luva furada , fui enviado para França para receber umas aeronaves que não precisavam de trim. Tinha mais botão para apertar para dar ordem ao Piloto Automático ( não furava a luva) .
Foi legal porque levei meu “macacão “ para passear nos Alpes . Ele adorou posar pra foto em Mon Blanc .
Meu “macacão” estava com saudade do “trim” dos Lynx e depois de algum tempo vivido no “planalto central” sem passear com o “macacão” só vendo engravatados ungidos se escondendo em carros blindados de lá pra cá (não sei por que) , voltei pra beira mar e andei salgando o “macacão” vez por outra (entre uma rodada de baiana portuária e outra) pela costa marítima paulista.
Enfim fui mandado para Liderar os Linces , com minha luva furada .
Me realizei e meu “macacão” ficou feliz , depois de cumprir a missão e resolveu virar “peça de museu “, junto com minhas luvas !
Comecei uma nova vida ...alada , sem “macacão”. Sem “macacão" mas, com os macacos me perseguindo.
Fui contratado para voar um “ Colibri “ pela aí...a bordo de Iate rápido. Eu e o Colibri nos demos bem mas ele era prateado e não dava pra chamar de “ Macaco “. Voamos juntos por alguns anos sem macacão e sem luvas ... passeamos pelo Caribe e pela costa brasileira , até que surgiu uma novidade.
Me foi proposto voar pelo mundo um Esquilo que seria meio verde acinzentado com um rabo ( cauda ) vermelha . Bingo ! Tipo assim um Babuíno do mar . .
Como não podia deixar de ser, batizei-o como SeaBaboon
Saltamos juntos pela Europa . Cruzamos o Atlantico até a Patagonia . Atravessamos o Deserto do Atacama e nos esbaldamos pelo Pacifico e suas exóticas milhares de ilhas . Andamos pela Asia para conhecermos um raro primo em Borneo... Macaco Probosis... o “narigudo”.
Essas aventuras terminaram na Australia onde vimos muitos animais e muitos Cangurus , que também pulam meio que nem macacos, mas não voam ... entre galhos ou sobre as águas ... que nem os Macacos.
Assim sendo , é fácil admitir que :
Nós “humanos” , somos .... oriundos de Macacos.
A Sociedade Civilizada atual comprova isso !
Do jeito que a coisa vai ... vamos acabar virando o País dos Macacos
Forte abraço do Vosso ...Pirata Alado ...
e seu parceiro o saudoso Sea Baboon .
Tentei postar meu comentário alusivo aos macacos e macacões. Mas não abriu o "comentários". Então o faço por aqui.
ResponderExcluirAgora consegui e fiz corte e cola.
Muito interessante. Eu também tive meus macaquinhos de pelúcia na infância que foram passando para meu irmão e depois minhas duas irmãs temporonas. Meu velho pai náo se "aposentou" até TCel quando veio minha irmã caçula, 14 anos depois, a última a herdar meu macaco, que nem me lembro mais se tinha nome.
Meu pai, piloto do CAN volta e meia regressava da Amazônia com um animal exótico: sagui (era meu macaquinho de estimação e que viveu muito), bambi, araras, pássaros ( tínhamos um viveiro em casa que entrávamos dentro dele em pé, um habitat completo para os passarinhos). Hoje meu pai seria autuado pelo IBAMA. Mas eram outros tempos. Ganhava sempre esses presentes de tribos de índios que visitava. E por fim tive meu macacão, tambem, na França, pois como tinha que voar as nossas garças francesas nada como usar um elegante macacão de voo, este sem asa. Também levei meu macacão para os Alpes franceses, claro, estávamos nos mesmos voos. Com tristeza, ao encerrar a Comissão, devolvi meu macacão, com luvas e capacete e botas à DAerM, e não tive nenhum para colocar no meu "museu".
Gostei muito, como sempre, de mais um belo escrito (mot) seu.
Aliás, no dia 18/9 estaremos juntos para comemorar os 40 anos do HU-2, cujas suas 6 primeiras "garças" nasceram conosco, nas nossas mãos.
Até dia 18/9.
Meu forte abraco
Athayde
ExcluirMeu queridíssimos amigo Athayde de tantos agradáveis momentos.
Obrigado pelo extenso ( e pertinente) comentário .
Quem de nós nao teve nosso bichinho de pelúcia de estimação?
Meu Zé Macaco , encontrei há pouco , sem um dos olhos. Acho que destino se encarregou de " apiratar " o meu Zé Macaco original.
Quanto aos " presentes" ofertado aos militares que atendiam as comunidades esquecidas pela Amazônia, naturalmente , eram animaizinhos. Meu pai da FAB, trouxe do Xingu uma "Ema filhote " que conviveu comigo no Campo de Marte. Eu , já crescido, tive no meu quintal em Manaus , além do Zé Macaco prego , uma Capivara...e até um bicho preguiça. ( todos soltos no extenso quintal da minha casa. Confesso que não foi uma boa ideia ter tentado mantê-los vivos soltos em área urbana. Depois da tragédia do Zé Macaco, resolvemos doá- los ao CIGS.
Quanto nossas andanças portando " Macacões " por domínios franceses foram inesquecíveis.
Agora completando 40 anos deixo a minha sugestão ao Esquadrão que ajudamos a nascer, presenteá-lo com um macacão, por inteiro dever de justiça. O seu " museu particular " merece mais que uma mera moeda.
IBAMA ?...antes de se preocupar com presentes sinceros oferecidos em agradecimentos por atendimentos necessários, deveriam estar preocupados em evitar o comércio criminoso que assola tudo no nosso País.
Quem sabe a gente consiga ver um país onde a Justiça...faça juz ao nome.
Obrigado meu amigo.
Infelizmente não poderei estar na cerimônia de 18/set.
Fraterno abraço