sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Veterano ... e o Zé do Drone

 


Amigos da Pirataria Alada meu respeitoso bons ventos Marinheiros.

Este post é antes de tudo um agradecimento a RMB ( Revista Marítima Brasileira ) pela publicação de mais uma historinha , assinada pelo meu amigão Comandante Barreira ( aquele milicão carrancudo) , já " Reformado de Marinha ". Ele adora " piratear as historinha do Pirata ".

Independente disso recomendo a leitura da RMB,  V.146 n.07/09 julho/ setembro  2026 , particularmente na coluna "O LADO PITORESCO DA VIDA NAVAL " , a história entitulada DRONE.

A Revista como um todo tem artigos técnicos de alto nível,  mas a referida coluna do meu amigo pode ser ... divertida .( além de instrutiva 😇).

Assim sendo...disponibilizo o texto original do Pirata , tentando produzir imagens da situação vivida.

Divirtam-se! ( porque eu já me diverti ) com o

 Zé do 

Drone

 Prezados leitores da tradicional Revista Marítima , particularmente nesta coluna “Fatos Pitorescos da Vida Naval “ meu respeitoso Bem-vindo a bordo !

Confesso que há tempos não escrevo algum conteúdo que se enquadre neste espaço literário .

Sei que todos nós “marujos” somos repletos de fatos pitorescos em função da nossa atividade profissional , sejam “ativos , inativos ou veteranos como eu”... então, por que não os contar aqui na nossa “Praça Darmas” literária ?
Dito isso , hoje como Veterano Aviador Naval , me senti a vontade para contar este Fato Pitoresco  , ocorrido nos anos 80 quando ainda era um jovem Capitão Tenente , servindo no HA-1 (1° Esquadrão de Esclarecimento e Ataque Anti-submarino). Naquela época  nós operávamos os “moderníssimos “ SAH-11 Sea Lynx a bordo (principalmente ) das também “moderníssimas “ Fragatas da classe Niterói .

Voávamos muito , sem as restrições orçamentarias de hoje. A Esquadra como um todo mantinha-se preparada e pronta para tudo (até para nada como convém ao povo Brasileiro mantendo a paz respeitosamente pelo resto do mundo e suas Marinhas ).

Ju
Foi num desses exercícios de adestramento , tipo ADEREX , TROPICALEX , TEMPEREX ou qualquer outro EX desses que eu estava bordo , como COA (Comandante Operativo da Aeronave ) de um Lynx , ainda me adaptando aos problemas normais que aparecem em todo projeto aeronáutico novo , que exigem “horas de voo” até que os problemas sejam sanados . Esse fator levam todos que o operam ao nível de atenção redobrado .

Me desculpo antecipadamente por não me lembrar do ano exato , nem o nome do exercício da Esquadra, assim como , em qual Fragata o meu DAE (Destacamento Aéreo Embarcado ) estava embarcado e nem o nome do meu copiloto deste voo assim como o nome do Fiel da Aeronave , Subalterno indispensável a bordo de qualquer voo operativo de um Lynx até hoje ( atribuo esta falha imperdoável a idade avançada deste Veterano saudoso da água salgada no rosto).

Dito isso vamos ao FATO :

Na minha Fragata , além do DAE , estava embarcada uma equipe do CASOP (Centro de Apoio a Sistemas Operativos ) do Comando da Esquadra, responsáveis pelos DRONES daquela época . Aqueles DRONES , tão comuns hoje em dia , eram pequenos aviões de controle remoto , pouco mais sofisticados que os brinquedos de controle remotos que começavam a aparecer no mercado privado dos anos 80 . Eles eram importantes desempenhando o papel de alvos aéreos para exercícios dos canhões de 40mm das fragatas usando munições específicas para adestramento . Quando eram considerados “abatidos “ , ou quando acabava o combustível do pequeno motor a combustão que movimentava a hélice de empuxo , o nosso ” drone “ disparava um pequeno para quedas, que permitia ao artefato cair no mar sem maiores danos , sendo recolhido por uma embarcação de pequeno porte podendo ser reutilizado, depois de abastecido, em outro exercício de tiro.

Me lembro que o oficial encarregado dos drones , na época , era mais antigo que eu (provavelmente Capitão de Corveta do quadro auxiliar AA) que chamávamos carinhosamente de Zé do Drone.

Num dia de exercício tiro antiaéreo das Fragatas , o Zé do Drone e sua equipe lançaram o “artefato alvo” perfeitamente de acordo com o planejado. Ele no comando com seu equipamento de controle remoto manobrava com precisão. Não foi abatido por nenhuma das Fragatas , demonstrando a habilidade do seu “piloto remoto “ , que acabou acionando automaticamente o para quedas por falta de combustível . O drone tocou a água suavemente , próximo ao nosso Capitânia , o saudoso NAel Minas Gerais,  que prontamente providenciou o seu recolhimento para bordo.

Todos satisfeitos com o exercício , ao término , recebi a ordem de decolar meu Lynx para trazer o Drone do Mingão , por meio de carga externa do Lynx ( o Drone era grande e pesado o suficiente para optar por este meio de transporte) e trazê-lo em segurança para a Fragata onde o pessoal do CASOP , faria as inspeções necessárias , abastecendo de combustível próprio para outro exercício .

A manobra de carga externa de qualquer helicóptero exige a participação da equipe a bordo de qualquer navio , para prender a carga ao cabo externo laçado pelo helicóptero , quando então o fiel da aeronave dá o pronto para a decolagem .

O Piloto em comando do helicóptero não vê a carga nesse momento prestando atenção aos instrumento para manter um voo pairado preciso , em altitude considerando o natural balanço das unidades flutuantes , que executam seus trabalhos de prender a carga com  segurança para ser transportada ... pendurada por um cabo de aço externo preso a “ barriga” do helicóptero.

Um artefato que voa , deve ser transportado em carga externa pendurado pela cauda (em cruz) por um elo reforçado com distorcedor apropriado para tal , evitando que ele gire no eixo mas não “decole “ e ganhe sustentação preso ao transportador em deslocamento aéreo .

Cheguei ao convés do Mingão   onde a equipe deles já estava preparada. Me posicionei pairado sobre o alvo obedecendo as orientações do fiel .

- Em posição . Mantenha !O fiel  me reportou pela comunicação interna .

- Mantendo posição . Respondi .

- Carga presa . Livre decolagem subindo contra a direção do vento , autorizada pela equipe a bordo. Transmitiu o fiel .

Observei a direção na “biruta” de vento do Mingão e iniciei a subida decolando sem movimentos bruscos .

- Minas Gerais ... falcão 01 decolando . Bons ventos . Transmiti ao navio como se tratam os “homens do mar “.

Ao me estabilizar 400pés ( altitude segura ) mantendo cerca de 40 knós suficientemente segura para este tipo de deslocamento .

- Fiel ... Piloto ... comunique qualquer movimento da carga . Transmiti ao Fiel .

Uma carga em cruz pendurada , normalmente gira no eixo . Isso é esperado , e o elo da cauda é preparado para este movimento sem causar problema ao voo do helicóptero .

-  Piloto ...Fiel ... carga pendulando ... lateralmente !

Há técnicas de pilotagem para este caso para corrigir e as apliquei .

Fiel ... Piloto ...me avisa qualquer movimento pendular e se parou .

Alguns segundos se passaram quando ouvi ... em tom enérgico ... sem preâmbulos :

- Drone pendulando a boreste da aeronave  !!!


Assustado olhei a direita e vi o drone voando em ala e mais alto que meu Lynx ...e pior ... preso por uma cabo de aço a minha aeronave ,,, que certamente o traria ao meu rotor quando esticasse completamente ....Quando o drone por sorte mergulhou passando por baixo do helicóptero ... não tive dúvidas ... e com o  “ coração na boca “ apertei o botão vermelho “cargo release “ ejetando o drone que foi ao mar ... sem paraquedas .

Comuniquei aos navios e me dirigi para pouso na minha Fragata ,


Pousei , cortei os motores e freei os  rotores. Desci sem entender bem o que havia acontecido .... me dirigindo ao Zé do Drone  ... que estava quase aos prantos pela perda de um de seus “filhotes”  ( nos abraçamos  e prestei minhas condolências sinceras ) .

As investigações posteriores deram conta que , por medida de segurança , a equipe do Mingão providenciou uma “alça de transporte “ bem segura que mantivesse o drone perfeitamente estabilizado na posição de voo sem movimentações indesejáveis para uma “aeronave de asa fixa”. Já pensou se num museu vão expor uma aeronave dessas de “cabeça para baixo pendurada pelo rabo “ ? Jamais ! isso seria indigno !

Resultado da investigação do incidente aéreo : “Incrementar aulas de Aerodinâmica para todas as tripulações de navios que operam aeronaves “.

Nunca mais ocorreu um evento semelhante que eu saiba .

Somos todos seres humanos . Voar é uma atividade feita para os pássaros não para os humanos que insistem em voar . ... mas como é uma delícia ... é melhor lembrar disso ... e estar preparado para tudo ...

O voo militar exige um grau de atenção maior ainda ( os riscos são um pouco maiores ).

OBS : Todas imagens acrescentadas ao texto original,  foram produzidas por meio de IA Copilot , por falta de imagens verdadeiras.

Obrigado a RMB,   em nome do meu amigão  Comandante Barreira, pela honra de ter sido publicado , mais uma vez.

Fraterno abraço a todos amigos da Pirataria Alada  do 

vosso Veterano Pirata Alado


Agradecimento particular ao meu amigo CMG Alcântara ( da minha turma ATAC e servindo no CASOP na época) que consultei antes de disponibilizar para publicação desta história,  me dando respaldo a veracidade do FATO.
Valeu Pirata Alcântara.  Tamo junto. Te devo essa.

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Pirata Alado