quinta-feira, 3 de abril de 2025

Pirata... e o " Windhuk "

 



Amigos da Pirataria Alada meu cordial Olá 

Passada a fase da série familiar " Vovô e Netinha" (agora uma moça debutada), voltemos a " pirataria" de fato. Assim sendo resolvi piratear uma estória do livro que ganhei de Natal da minha Filhota ( agora em nova fase profissional , menos Global).



"HITÓRIAS 

DO MAR" 

200 casos verídicos 

escrito por Jorge de Souza.



Estou pirateado esta estória porque além de interessante envolve o porto de Santos e explica muita coisa sobre a influência da migração estrangeira que influência até hoje a cultura do Paulista.

Portanto curta esta estória do Jorge de Souza :


O porto de Hamburgo estava particularmente agitado na manhã de 21 de julho de 1939. Entusiasmados com a boa performance da economia alemá, depois da crise desencadeada com o fim da Primeira Guerra, e embalados pelo forte sentimento nacionalista que tomava conta do país nos dias que antecederam o início de um novo conflito mundial, mais de uma centena de passageiros preparava-se para embarcar em um longo cruzeiro de ida e volta à África, a bordo de um dos melhores transatlânticos alemães da época: o Windhuk ("canto do vento", em alemão). O navio era tão luxuoso que tinha uma tripulação quase duas vezes maior que o número de passageiros: 250 tripulantes, quase todos tão alemães quanto o próprio comandante, Wilhelm Brauer.

A viagem estava prevista para durar 60 dias, com escalas em diversos países da Europa antes de descer até Moçambique, de onde o navio regressaria ao mesmo porto da Alemanha. Mas o Windhuk jamais voltou embora nenhuma tragédia tenha acontecido naquela viagem. Ao contrário, ela teve um final feliz para todos os  tripulantes do navio, mesmo tendo o Windhuk ido parar do outro lado do Atlântico, no porto brasileiro de Santos, cinco meses depois.

 Quando em 1 de setembro de 1939. a Alemanha invadiu a Polônia dando início a Segunda Guerra Mundial. O Windhuk estava atracado no porto da Cidade do Cabo na África do Sul. com seus passageiros aproveitando as mordomias de bordo, que incluíam uma requintada gastronomia. Mas a ordem era clara: o Windhak deveria sair imediatamente daquela então colônia inglesa e retornar à Alemanha. Avisados, quase todos passageiros  decidiram desembarcar ali mesmo, ficando a bordo apenas tripulantes , exceto иm deles, que havia saído para passar em terra seu dia de folga e não conseguiu voltar para o navio a tempo.


As 22 horas do mesmo dia, o navio saiu do porto as pressas e com pouco combustível, o que levou o comandante Brauer a optar por navegar só até cidade de Lobito, na costa da atual Angola, que nada tinha a ver com o conflito. Ali, ele  esperava abastecer o navio e seguir viagem para a Alemanha. Mas, no precário porto angolano, o Windhuk teve que esperar dois longos meses até conseguir pouco mais de combustível para poder voltar ao mar. Confinados no navio, os tripulantes do Windhuk, inocentes garçons, camareiros, engenheiros e marinheiro todos civis em nada envolvidos com a guerra, não faziam a menor ideia do que se passava na distante Europa. Tampouco o que o destino lhes reservaria dali diante. Só restava esperar e torcer para que o navio conseguisse, finalmente, partir.

Cinco deles não suportaram a angústia da espera e traçaram um plano para voltar para casa por conta própria, com um dos barcos salva-vidas do navio. Certa noite, colocaram o bote na água e partiram a remo. Dois meses e meio depois e após receberem a ajuda de um navio português que lhe forneceu mantimentos no meio do caminho, o grupo foi dar numa praia das distantes Ilhas Canárias, num feito e tanto. Já o comandante do Windhuk tinha outras preocupações além da fuga de tripulantes e da carência de suprimentos, inclusive comida para tanta gente a bordo, durante tanto tempo: ele não sabia como driblar os navios ingleses que já patrulhavam trechos da costa africana.

No início de novembro, depois de conseguir um pouco de combustível surgiu uma brecha na patrulha dos ingleses. O Windhuk, então, partiu mais escondido que da primeira vez, juntamente com outro navio alemão , o Adolf Woermann, que também aguardava uma chance de escapar do cerco dos ingleses aquartelado naquele porto angolano. A bordo, não havia comida suficiente para toda a tripulação na longa viagem que o Windhuk faria ( uma ironia num navio famoso justamente por sua gastronomia), nem tampouco era garantido que o combustível desse para chegar a Alemanha

Mesmo assim, o comandante Brauer mandou soltar as amarras, apagar todas as luzes do navio e ganhou o mar, seguido pelo Adolf Woermann, que, no entanto, não foi longe. Descoberto pelos ingleses, ele foi atacado e afundado logo após sair de Angola. Já o Windhuk seguiu em frente. Mas nem o seu comandante sabia exatamente para onde. Importante era escapar do cerco.

No afã de driblar os ingleses, o Windhuk navegou em linha reta Atlântico adentro, saindo da rota natural para a Europa e alongando a distância até a Alemanha um grande problema frente a questão do combustível. Seria, portanto, necessário parar em outro porto, para reabastecer. Mas, qual, se os ingleses patrulhavam praticamente toda a costa africana? Foi quando Brauer teve a ideia de seguir em frente, cruzar todo o oceano e buscar recursos em algum país sul-americano, todos ainda neutros na guerra.

A fim de evitar as rotas mais usadas pelos navios, o comandante do Windhuk decidiu navegar bem mais ao sul do que o habitual. E quase foi parar nas ilhas Malvinas. O acréscimo extra no percurso tornou o nível do combustível ainda mais crítico. Para economizar, o Windhuk passou a se arrastar no mar, a míseros seis nós de velocidade, quando tinha capacidade de navegar três vezes mais rápido do que isso, em velocidade de cruzeiro. Além disso, para escapar o mais rápido possível da crítica área da costa africana, ele chegou a navegar a 22 nós de velocidade, o que sugou sobre-maneira os seus tanques.

A bordo do Windhuk, a situação dos tripulantes era angustiante. Eles não tinham comida, nem destino fixo, tampouco sabiam se o combustível daria para chegar a algum porto seguro. Gastavam os dias vendo o mar passar, lentamente, sob o casco, sem saber para onde estavam indo. Nem o comandante Brauer arriscava um palpite mais certeiro sobre para qual porto seguir. Sem muita convicção, acabou optando por rumar para Baia Blanca, na costa da Argentina. Mas, para complicar ainda mais as coisas, foi informado dos ataques que o couraçado alemão Graf Spee vinha sofrendo na região e resolveu evitá-la. Foi quando o porto de Santos, na costa brasileira, surgiu como a melhor opção.

O Brasil ainda não havia entrado na guerra e, portanto, era seguro para um navio alemão. Ainda assim, Brauer tomou uma precaução: mandou camuflar o Windhuk com outro nome, outra bandeira e até outra cor no casco, que deixou de ser cinza e virou preto. A pintura, feita com latas de tinta que restavam no porão, aconteceu em pleno mar, durante a própria navegação e foi uma arriscada epopeia que durou vários dias. Os marinheiros ficavam dependurados sobre a água, com o navio em movimento. Quem caísse estaria perdido, porque o comandante avisara que não haveria como manobrar navio. Por sorte, ninguém caiu.

O novo nome e a nova "nacionalidade" do Windhuk foi escolhida ao acaso. Como havia alguns asiáticos trabalhando na lavanderia do navio, Brauer optou pelo nome de um navio japonês que costumava visitar o porto para o qual estavam indo, o Santos Maru, e mandou que os tripulantes orientais escrevessem num pedaço de papel, para ser copiado a confecção de uma bandeira, algo fácil no caso da japonesa, que se resume uma bola vermelha sobre fundo branco. E assim foi feito. Só que os tripulantes eram chineses, não japoneses, e o novo nome do Windhuk acabou escrita com caracteres errados.

Mas ninguém percebeu o erro. Nem mesmo os práticos do porto de Santos, que, ao verem o navio chegando, estranharam apenas o fato de o verdadeiro Santos Maru ter voltado tão rápido, já que havia partido dali dia antes. E, ainda por cima, voltou com duas chaminés em vez de apenas um A confusão foi esclarecida, entre risos e tapinhas nas costas, assim que o funcionários do porto subiram a bordo e deram de cara com uma tripulação de alemães de olhos azuis e não japoneses de olhos puxados. Como o Brasil ainda não tinha se posicionado na guerra, nada aconteceu com eles. Apena o navio ficou retido, como era praxe nos tempos de guerra. Era o dia 7 de dezembro de 1939 data que, até hoje, é comemorada pelos descendente daqueles mais de 200 alemães, que nunca mais quiseram sair do Brasil.

Para os 244 tripulantes do Windhuk, a nova e tranquila vida em Santos passou a ser uma espécie de recompensa pelas privações e temores que passaram durante aquela longa e tensa viagem. Eles ganharam a liberdade de fazer o que bem quisessem, desde que não saíssem do munícipio. Inclusive deixar o navio e ir morar na cidade. Alguns começaram a namorar garotas locais. Outros se casaram, como os tripulantes Hildegard e August Braak cuja cerimônia aconteceu no próprio navio e com a presença até do prefeito.

Para os moradores de Santos, aquele grupo de alemães boas-praças na tinha a ver com as notícias ruins que chegavam da Europa. E não tinham mesmo, porque não passavam de pacíficos marinheiros transformados vítimas indiretas da guerra. Eles ficaram na cidade por mais de dois anos, em total harmonia com os brasileiros.

A situação só começou a mudar em janeiro de 1942. quando, em resposta ao afundamento de navios brasileiros na costa do Nordeste, o Brasil decretou guerra aos países do Eixo. Imediatamente, todos os tripulantes do Windbuk foram presos, na mesma cidade onde já se sentiam em casa. Contribuiu também para isso o gesto patriótico de alguns deles, a começar pelo comandante Brauer, de sabotar o próprio navio no porto de Santos. Quando ficaram sabendo que o Windhuk seria confiscado e vendido aos americanos, então já em guerra contra a Alemanha, cles levaram sacos de areia, pedra e cimento para dentro do navio e atiraram dentro de seu maquinário, que ficou inutilizado, O objetivo era que o Windhuk não pudesse mais navegar e assim não saisse do Brasil. Mas não foi o que aconteceu.


Rebocado, o navio acabou sendo levado para os Estados Unidos, onde foi recuperado e convertido em navio de combate. Já o destino dos seus tripulantes foi ainda mais improvável. Depois de passarem uma temporada na Casa de Detenção de Imigrantes, em São Paulo (eles eram tão numerosos que não cabiam na pequena cadeia de Santos), acabaram se transformando nos primeiros ocupantes dos campos de concentração em território brasileiro, aqui chamados de "campos de internação", para onde, depois, também foram levados italianos e japoneses.

A bordo de um trem lacrado e com a patética escolta de soldados fortemente armados, os pacatos tripulantes alemães foram divididos em grupos e mandados para cinco destes campos, todos no interior do estado de São Paulo: Bauru, Ribeirão Preto, Pirassununga, Guaratinguetá e Pindamonhangaba, este o maior do gênero no país. Neles, no entanto, a despeito do trabalho por vezes forçado, seguiram gozando quase a mesma liberdade de antes, já que não representavam perigo algum ao país.

No campo de concentração de Pindamonhangaba, em clima de total camaradagem com os guardas, os marinheiros alemães receberam autorização para construir suas próprias casas, criaram galinhas, ordenharam vacas, jogavam futebol contra times que vinham de fora, assavam pães para vender aos visitantes até saiam para fazer compras na cidade ocasião em que chegavam a dividir rodadas de cerveja com os próprios guardas que os vigiavam. Também os músicos da orquestra do navio eram frequentemente convidados para tocar em festas na cidade, e os cozinheiros do Windhuk passaram a preparar jantares sofisticados para os oficiais do próprio campo. De presidiários, eles nada tinham.

Na maior parte do tempo, a vida era tão agradável nos campos de internação que o mesmo casal Hildegard e August, que havia se casado quando Windhak estava atracado no porto de Santos, resolveu ter um filho ali mesmo. Nasceu assim Carl Beraak, o único brasileiro que veio ao mundo dentro de um campo de concentração. Hoje, ele é o principal convidado nos encontros anuais que os descendentes dos tripulantes do Windhuk, já que todos já morreram, organizam em um restaurante de São Paulo, que não por acaso leva o mesmo nome do navio, sempre no dia 7 de dezembro, data que ele chegou ao Brasil. O último tripulante morreu em 2015.


Nos campos de internação, onde viveram por mais de três anos, os marinheiros do Windhuk se habituaram ainda mais com a vida no país, Quando a guerrа terminou, em 1945, o governo brasileiro, sem saber o que fazer com aquele incomodo grupo, deu a eles duas opções: voltar para a Alemanha, arrasada pela guerra, ou ficar de vez no Brasil, com direito a cidadania. Praticamente todos escolheram a segunda opção. Apesar do sotaque carregado, já eram brasileiros de coração.

Em seguida, eles se espalharam por cidades de São Paulo, Santa Catarina Minas Gerais e Rio de Janeiro, e foram trabalhar em diversas áreas. Um deles. chegou a vice-presidência da Coca-Cola no Brasil. Já Hildegard, mãe de Carl tornou-se uma das maiores especialistas do país em ortóptica, uma área da oftalmologia que trata de desvios oculares. Muitos, porém, preferiram subir a serra que brotava aos pés do campo de internação de Pindamonhangaba e foram trabalhar, como cozinheiros, no recém-criado Grande Hotel de Campos do Jordão, cidade que, até então, era apenas um centro de tratamento para tuberculosos.


Com a experiência culinária que tinham do navio, os alemães do Windhuk transformaram aquele hotel em um centro de excelência gastronómica e foram praticamente os responsáveis por implantar as bases do que viria a ser a estância turística de Campos do Jordão nos dias de hoje. Outro tripulante, porém, prefe riu abrir um bar em São Paulo, batizá-lo com o nome do navio, e passar a reunir os antigos companheiros para relembrar as histórias do passado o precursor do restaurante Windhuk, onde os seus descendentes se encontram até hoje.


Já o navio deixou de existir há muito tempo. Depois de servir nas guerras do Vietna e da Coreia, sob bandeira americana e com o nome USS Le Jeune, o ex-Windhuk acabou seus dias num ferro-velho asiático. Mas o seu sino foi preservado e ainda toca, todos os dias, em um quartel de treinamento do exército americano, na Califórnia, onde, no entanto, quase ninguém sabe que o navio de onde ele veio acabou decidindo o improvável destino de mais de 200 alemães, durante a guerra.


Pois é amigos da Pirataria . A estória foi longa , mas eu achei interessante como "local " dos fatos descritos. Quanto ao Livro do Jorge de Souza , não sou crítico literário muito menos "influencers" , mas gostei e recomendo a todos os "nautas",

Caro leitor , se chegou até aqui agradeço ...

Forte abraço do Pirata Alado ( versão "culturally ligth " )

segunda-feira, 24 de março de 2025

Veterano... e o "Debut " da Piratinha ( episódio 3)



Amigos da Pirataria Alada ...meu cordial obrigado por acompanharem esta " série " muito particular ( e familiar )

Por ser uma estória longa , o Veterano Vovô (e seus Avatares)  continuarão contando em " partes " os fatos ocorridos....para atingir o desfecho pretendido.



PARTE 5 - Deslocamento do Vovô para o Rio de Janeiro

Depois de toda preparação e surpresas , o Vovô já autorizado oficialmente pelo 1° Distrito Naval , planejou um deslocamento rodoviário para o Rio de Janeiro ( sem surpresas desagradáveis). Para tal , "elegi o Fubeca " como meio de transporte , por ser mais espaçoso (e familiar ).


As vestimentas ( vestido da Sereia e farda do Comandante ) mereciam mais espaço confortável durante o deslocamento.

 O "Resort My Son" do Condomínio Cidade Jardim , já estaria ocupado por outros familiares . Dessa forma reservei via site de reservas Airbnb um ap próximo, no Verano Stay, visando facilitar as providências para o grande evento.

Os organizadores do evento programaram um "ensaio geral" no local da festa , o BallRoom Alto da Boa Vista ", no dia 19 (dia do aniversario efetivo da minha neta).e para isso planejei a minha chegada.

Em função dos 600 Km que deveria percorrer entre Santos e Rio, por segurança contra "imprevistos" , o "Fubeca" nos transportou até Penedo (sem surpresas) para um pernoite " profilático", na véspera (dia 18).

Em Penedo , nos instalamos na pousada "Moradas de Penedo" , uma velha conhecida de outros tempos .


A noite fomos comer uma deliciosa pizza de piperone com catupiry no Oh Baba (também velha conhecida de outras paradas ) . O "banana" que havia nos indicado não estava mais por lá , mas o Bruno (proprietário) lá estava e se lembrou do "Pirata" e suas estórias . Foi uma noite muito agradável.

No dia seguinte (19) , depois do café da manhã (quase Colonial) da pousada pegamos uma Via Dutra (sem acidentes e chegamos cedo ao Rio. Depois dos primeiros contatos familiares , nos instalamos no Verano Stay. Aproveitamos o almoço familiar a base de picanha , para comemorar o aniversario da minha neta que completava os 15 , naquele dia , Aproveitando o momento entreguei o meu presente :

A minha moeda talismã de 1 Real (retirada do " Baú do Pirata Alado ").

 Aprendi com o Tio Patinhas , na minha literatura preferida na infância , o gibi do Pato Donald. A moeda talismã do Tio Patinhas deixa claro para toda família Disney, que tudo que ele possuía (e ajudava à todos ) foi conseguida com  sorte  ( de quem trabalha muito ). Eu sempre gostei dessa filosofia . Nunca cheguei a ser Tio Patinhas ... mas me satisfaço em ser o Vovô Pirata Alado.


 Na hora marcada para o "ensaio geral" chegamos ao BallRoom . Recebi as instruções e a coreografia da minha "valsa moderna " (que eu deveria decorar os passos). Após algumas tentativas ... consegui decorar a marcação junto a minha neta. 

PARTE 6 ... Compromissos do Pirata Alado

 No dia 20 , o primeiro compromisso do Pirata seria ver o irmão Postarek no Rio. Em contato com a "leoa Cristina (sereia do Pirata Alado Lince Líder Russão, meu irmão ) soube que o melhor horário seria as 5 da tarde. Assim sendo parti direto para o segundo compromisso :


A Confraria de Piratas Alados no Clube Piraquê as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. (dessa vez o Fubeca não me surpreendeu como da ultima vez). Cheguei cedo e fui procurar meu amigo Monteiro (facilitador de todos eventos que ocorreram na preparação para o evento " Debut da Piratinha ". Como Comodoro do Piraquê , encontrei-o mantendo a higidez física na academia do Clube. Para não atrapalhar, agradeci informalmente e preferi  deixar para outro momento as formalidades.

A Confraria começou sob a batuta do Pirata Alado Kavica ,"Pegazus" de primeira linha.

O Pirata Alado encontrou um fiel seguidor , o Comandante Téo (entre outros) , que além de "chefe mais antigo" se tornou amigo apreciador das Aventuras do Pirata Alado.


Por dever de justiça deveria citar vários outros Piratas Alados que costumam frequentar este prazeroso "habitat" , mas para não cometer esquecimentos (típico de memórias gastas pelo tempo ) prefiro citar aquele que nos lidera na Confraria (e meu primeiro Comandante Operativo na Macega ) o Pirata Alado Lince Supremo Fredinho de todos os céus , terras e mares (mais conhecido como Almirante Frederico ) . Que todos Piratas Alados da Confra não citados nominalmente sintam-se abraçados pelo Pirata.

Cumprido o prazeroso compromisso , na Lagoa, parti para a Barra da Tijuca. ( "Chez Russo ") 



O Russão estava numa sessão de fisioterapia. Aguardei até a Leoa Cristina abrir a porta e dizer :

-" Mário ... olha quem está aqui !" 

-" Esse é meu irmão ". Disse o Russão depois de me ver e olhando para a fisioterapeuta que perguntou :

- " Ficou feliz ... né  TOP GUN ?

Segurando as lágrimas ... só consegui dizer para a fisioterapeuta :

-" Este é o verdadeiro TOP GUN ! ... aquele outro do cinema é FAKE ( aquele é só artista que representa este ... que é  o VERDADEIRO TOP GUN ) .

A partir daí as mulheres se retiraram e batemos um longo papo ... ele recostado descansando e eu sentado a sua frente emocionado. 

Voltei para o Verano Stay agradecido pelo dia agradável 


PARTE 7... o dia do "Debut" chegou !


O dia amanheceu ensolarado com poucas nuvens (contrariando as previsões “diluvianas” das mídias jornalísticas ) . Peguei o “Fubeca “ que estava meio distante (porque o Airbnb não oferecia estacionamento na diária) e estacionei numa vaga próxima , visando não expor o   deslocamento da Sereia , “ festivamente “ vestida com seu “ longo azul celeste “ (a gavionada do Verano , só estava de olho ). Fui informado que antes do início da festa , deveria chegar as 19 horas no BallRoom ... para uma sessão de “ fotos preliminares “. Dediquei as horas seguintes a higiene pessoal , corte de pelos indesejáveis (desenvolvidos  depois do avanço da idade)  e a  maquiagem (da Sereia , porque Lince Pirata que é Lince Pirata não se maquia para festa ...só pra Guerra.... para se camuflar ).

Fiz o planejamento do deslocamento para a  “missão" , usando o Google Map. considerando que um deslocamento terrestre rodoviário no Rio de Janeiro entre a Barra da Tijuca e o Alto da Boa Vista em função do tráfego (não tráfico) automotivo no horário exige , no mínimo , ... precaução ! ( se fosse de helicóptero seria mais rápido evitando sobrevoo de algumas comunidades que gostam de treinar tiro ao alvo em alguns helicópteros "sobre voantes" de seus “espaços aéreos controlados “.

Me vesti com o básico do meu jaquetão (calça , camisa , sapato e meia ) . O jaquetão montado (com Asa de AvN, estrela prateada de Comando ,  bolacha de EGN e barreta de condecorações), dentro do” pra-terno naval” conviveu com a alternativa “B” ( paletó azul marinho civil) para qualquer contingência imprevista.

Embarcamos no Fubeca e chegamos em segurança no BallRoom 15 minutos antes do horário  (como é recomendado em passagem de serviço a bordo das Naus ). 



Enquanto a Sereia se dirigia para o ambiente reservado as “moças “ que se preparavam para a sessão fotográfica , eu , ainda no estacionamento percebi uma servente da cozinha fumando um cigarrinho e me aproximei dela numa área aberta

- “ Olá Ana Paula”. Cumprimentei com um sorriso que foi correspondido.

- “Oi ... seu Zé . Vou pegar seu cafezinho “. Disse a Ana Paula que no treinamento do dia 19 fez um café pra mim e ficamos batendo um papo no estacionamento enquanto eu aguardava a minha vez. Ela era uma das encarregadas da confecção dos docinhos da festa. Me enturmei com todo “staff” logístico antes do início da festa (o que me promoveu a “cliente preferencial “entre eles , na hora de servir durante a festa . Hábito de Pirata simpático ) .


Fumando meu cigarrinho pós café , no estacionamento, um carro de Uber estaciona próximo a mim . Dele desembarca uma linda jovem bem-vestida que classifiquei mentalmente de “gata”. Me surpreendi quando vi desembarcar do mesmo carro meu genro Daniel e minha prima Tuquinha (mãe dos meus filhos ) . Foi só aí que reconheci a moça “gata” . Era a minha Filhota querida Daniela ...kkkk (acho que estive ausente mais tempo do que imaginei ).

A sessão de fotos iniciou e o jaquetão cumpriu o seu papel dignificando a Marinha do Brasil portado pelo Veterano Comandante Barreira (autorizado oficialmente e orgulhoso , depois de 25 anos).


A festa começou e enquanto a minha “ participação coreografada de dançar a valsa com minha neta “ não chegou , me socializei com meus familiares e com o “Netuno” CMG José Maria Barreira da Fonseca   (ex-comandante do Cruzador Tamandaré , meu primo e sogro) que iniciou todo esse relacionamento familiar . Ele devia estar feliz observando lá de cima, na Alfa Crux , onde imagino habitar atualmente (brindei calado a ele ). 
Chegou a hora. Sob observação de todos os convidados , me posicionei . Os primeiros acordes soaram. Me aproximei da minha linda neta vestida de azul . Beijei sua delicada mão , enlacei-a em posição de valsa  e iniciamos os passos coreografados de acordo com os acordes da musica ( tipo “bumbo no pé esquerdo” dos tempos de Colégio Naval “).
 Depois dos cronometrados 60 segundos , sem falhas , a reverenciei. Beijei sua testa e finalmente a abracei com todo amor estocado no meu coração. Fomos aplaudidos pelos convidados.

Eu havia cumprido o “exótico” desejo da minha querida “Netinha” ... a “Lady Leticia “ que veio ao mundo há 15 anos  no mesmo lugar onde a minha exótica ( e deliciosa) vida começou.... São Paulo.  Agora , no Rio de Janeiro ela estava “debutando “. Os cariocas que fiquem bem espertos ! O Vovô milico paulista , Lince e Pirata Alado, está de olhos bem abertos ... ainda !

Pais e avos da  Lady Letícia
agradecem 

( meus “Avatares” felizes bailavam Rock and Roll  movidos a muita Vodka imaginária na minha mente).... mais uma “missão cumprida “. ! 

Devo tudo isso a MARINHA do Brasil.


EPÍLOGO

Coroando esta "serie" familiar só me resta agradecer a todos amigos leitores deste Blog descompromissado . Obrigado ! 


No entanto, por dever de justiça , nada disso teria ocorrido sem a ajuda do meu amigo contemporâneo Monteiro . Foi ele que acionou a  engrenagem da nossa instituição "maior" : a MARINHA do BRASIL e sua eficiente estrutura que existe para DEFENDER nosso país... onde o COLETIVO precede os interesses pessoais e escusos de alguns . Obrigado amigo CMG (IM) Monteiro .

Meu respeitoso agradecimento , pela particular sensibilidade , do Contra Almirante Robledo de Lemos Costa e Sá , Chefe do Estado Maior  do 1° Distrito Naval que me autorizou a realizar o desejo da minha única neta ,
Obrigado Almirante... conte sempre com este Veterano marujo que sabe voar .

Em relação ao setor logístico , além do meu agradecimento , a minha admiração pela qualidade e eficiência  demonstrada . Feliz o país que conta com esta presteza e tecnologia da principal e mais completa Força Armada do Brasil ... a MARINHA.

Ao Almirante (IM) Moraes ... que "azeitou" a engrenagem logística ... meu profundo agradecimento.
Ao CMG (IM) Roma , imediato . Agradeço a fidalguia na execução das diretivas emanadas pelo Alt Moraes .
A Comandante Leticia e ao Comandante Bruno reafirmo aquilo que já tive a oportunidade de expressar  :
Nunca fui tão bem recepcionado , nem quando estava na ativa sendo Comandante de Unidade Operativa ,quanto fui no DepFMRJ. Muito obrigado pela fidalguia Naval . 
A toda tripulação ( militar ou civil ) do DepFMRJ ( Depósito de Fardamento da Marinha no Rio de Janeiro.) meu sincero e emocionado agradecimento.

Vida longa a minha querida neta Letícia Gonçalves Barreira . Que seja feliz , como melhor lhe convier ( o Vovô estará atento ... mesmo a distância ) .


A quem interessar possa...a "música dos anos 70 , que embalou a " valsa do Vovô e da neta Letícia" foi esta abaixo 👇


Curtam a " valsa " dos anos 70 

Forte abraço a todos do Veterano (e seus "Avatares )




sábado, 15 de março de 2025

Veterano ... e o "Debut " da Piratinha ( episódio 2 )

 


Amigos da Pirataria Alada...meu profundo "obrigado" por tudo  (simples assim como deve ser entre amigos sinceros ) 


Este episódio é longo , portanto dividido em partes tentando ser menos enfadonho  ( se é que é possível ) . 



PARTE 3 – A Convivência com a Família 

Essa nova fase iniciou em 2016. Tudo seria diferente como Veterano cheio de estórias para contar. Intensifiquei meu convívio familiar em geral. Procurei me aproximar e participar da vida de todos os familiares que me eram caros : Mãe ,filhos, tias , primos, ex esposa , irmã, cunhados e sobrinhas, até amigos / colegas adquiridos e negligenciados.

A partir de 2018, depois de várias interações sociais , me surpreendi quando comecei a conviver com todos e perceber que havia ficado muito tempo longe. Minhas opções não eram bem aceitas e passei a ser contestado e naturalmente afastado. De certa forma aceitei que o problema era ... eu . Me tornei um “fato novo exótico” na vida de todos . Não me importava, porque a minha netinha ainda curtia minhas estórias e minhas brincadeiras com ela , enquanto eu me adaptava ao novo mundo “digital”. Viajei muito com a minha Sereia (agora Veterana aposentada). Vendemos a nossa participação no Estacionamento em Santos para termos mais liberdade sem compromissos profissionais.

Em 2019 , neste novo mundo digital, minha netinha que já dominava o “celular” e seus aplicativos de relacionamento social, ainda não sabia andar de bicicleta (por incrível que possa parecer ), me desafiou :

 -Vovô você tem que colocar o WhatsApp  no teu celular !

Surpreso com a novidade , a desafiei de volta:

- Ok . Quando você aprender a andar de bicicleta ... eu ponho o WhatsApp ... no meu celular !

Uma semana depois recebo um vídeo ... da minha netinha andando sozinha de bicicleta dizendo :

- Ta vendo vovô ! ... agora vai ter que ter WhatsApp ...kkk.

No dia seguinte baixei o “aplicativo” ... que acabou mudando completamente a minha vida (e a dela). Nesse dia o nosso relacionamento mudou radicalmente.

A partir daí acabaram ocorrendo outras surpresas muito desagraveis ligadas ao meu Paraíso Perdido em Pilar do Sul.

A Dona Lya (Pirata mãe e Rainha do Paraiso Perdido Rancho Aquarius) ... desembarcou e se juntou  ao Zé Batista (Pirata pai e Rei criador do Rancho Aquarius) ... na Alpha Crux.  Tudo mudou ! ( menos os "sapos" que continuaram me atazanando , agora do criadouro Pilar do Sul ). 

O “boom imobiliário” paulista começou a mostrar a cara em Pilar do Sul (como já comentei em outros posts anteriores ) . Esse fator desencadeou um processo de “desmoronamento” familiar . Sorte minha que a MARINHA permanecia, como sempre , me fornecendo base solida de sustentação . Os irmãos por opção sempre estiveram ao meu lado.

Na política , o país começou a apresentar “rachaduras” em sua estrutura judiciária alavancada pelas “malditas” redes sociais dominadas por “influencers” das mais variadas matizes além dos interesses econômicos que sustentam as mais variadas mídias de comunicação. O mundo ficou “menor”. (as distancias diminuíram ... on line).

2020 chegou tumultuando o mundo moderno e saudável , o Brasil político e meu relacionamento familiar em geral. Meus “valores pessoais” saíram de moda.

A COVID se disseminou em velocidade estelar , mudando hábitos e atitudes sociais. A proximidade estreitou influencias pessoais em detrimento de experiências familiares.

A vida do Veterano se tornou meio confusa. As mídias em geral  passaram a prevalecer e dominar a vida ( e opiniões) de todos. “Pensar” por conta própria se tornou uma atividade “retrógrada”. Especialistas em tudo , se procriaram mais que “ratos de esgoto” (hoje chamados de “influencers”). A IA (Inteligência Artificial) supera com facilidade  a IN (Inteligência Natural) da grande maioria dos Seres Humanos. Assim sendo , não há mais “espaço”  para “VETERANOS” (e suas experiências de vida) nas famílias modernas. É a evolução natural da Sociedade Civilizada. Viva os Animais (protegidos , ou não ... eles evoluem ... mais naturalmente).

O tempo neste “novo mundo” correu rápido ... mudando o mundo...e minha neta, agora uma adolescente linda e querida pelo vovô , meio que ... “desatualizado e conservador “.

Chegamos a 2024. Comemorei os meus 70 numa deliciosa reunião ao lado meu núcleo familiar. Aminha neta deixou de ser uma “piratinha “, Agora ela já  era uma linda moça.

A política radicalizou e tomou conta de” corações  e mentes “ por meio das mídias de todos os tipos...

No final do ano , minha neta me surpreende com um pedido :

-“ Vovô... eu queria dançar uma valsa com você “fardado” na festa de debutante no meu próximo aniversário “...


Minha primeira reação ... foi de espanto (jamais havia considerado essa possibilidade ) Sendo oficial da reserva sabia que não poderia vestir farda em nenhuma cerimônia , que não estivesse representando a MARINHA sem autorização expressa do seu Comandante.

” Não posso fazer isso! “ respondi intempestivamente , 

-“ Farda , não é fantasia de festa “ . Completei ainda surpreso e de forma inadequada , reconheço.

O clima familiar não ficou bom . A cabeça do Comandante Barreira (milicão autoritário ) estava dando piruetas sem saber lidar com a situação.

-“Pai ... ela é a sua única neta e você não quer fazer o desejo dela ? “. Foram as últimas palavras do meu filho depois das festas natalinas daquele fim de 2024, no Rio de Janeiro.

Voltei para Santos remoendo  tudo na estrada.

Em casa depois da queima de fogos vista da minha janela , junto a minha Sereia Veterana , resolvi consultar a Marinha.

A partir daí consultei o amigo safo Monteiro ( Comodoro do  Clube Piraquê ).

-“ Barreira calma ! . Você precisa da autorização só do Comandante do Distrito Naval onde a festa vais ocorrer. Deixa comigo “, foram as palavras do Monteiro por telefone. Eu deixei tudo com ele .

Imaginei a cena com ajuda da IA



PARTE 4 – Debut da minha Neta Lelê (preparativos)

Para esta parte da estória, os Avatares se reuniram numa única personalidade : o “Vovô da Lelê “.

-“ Barreira preciso que você venha ao Rio para experimentar o uniforme no DepFMRJ (Departamento de Fardamento da Marinha no Rio de Janeiro ) . Entre em contato e agende uma data “. Foi o que dizia a mensagem de Whatsapp que recebi do Monteiro acompanhada dos números de celulares para contatos necessários. 

O Monteiro havia colocado a engrenagem da MARINHA para funcionar .

Fiz os contatos e agendei para uma data  próxima a realização da Confraria dos Aviadores Navais no Clube Piraquê. La , no meu habitat natural , além de confraternizar , agradeceria pessoalmente ao Monteiro.

Me preparei para ir ao Rio. O Ano Novo havia começado com grandes surpresas. Uma delas foi meu carro ( o já conhecido “Careca Azul Calcinha” ) resolveu não colaborar , e foi pra oficina . A Sereia Veterana em preparativos comemorando o “mês” de aniversário dela preferiu não me acompanhar ao Rio , e me emprestou o carro dela ( conhecido por nós como “fubeca azul ”). 

Montei no FUBeca ( porque  o trigrama da placa é FUB e não porque seja já de uma certa idade ) e fomos para a estrada. 


A deliciosa viagem corria as mil maravilhas , quando resolvi parar para abastecer num GRAAL  Estrela (já conhecido ) para abastecer o carro e o Vovô da Lelê.

Coloquei gasolina aditivada , quando o frentista se ofereceu para calibrar o pneu num ponto , distante da bomba de combustível. Desloquei o carro até o calibrador.

- “ Chefe ... tem um pneu com arame no pneu “. Foi o frentista me chamando para ver.

Olhei e não vi nada ... e o frentista insistiu ,

- “ É um fio fino . É bom o Sr ir ali no borracheiro , atrás daquele caminhão para examinar melhor “.

Como estava adiantado fui ao borracheiro. Quando pedi a inspeção do pneu , senti um clima estranho entre os dois funcionários que pediram para chamar um terceiro , bem-vestido com “pinta” de chefe ,

Ele deu uma olhada superficial e disse :

-“ Não achei o arame, mas seu pneu está vencido ...e temos uma promoção desse mesmo tipo de pneu do seu carro ... então vamos trocar ? “.

_ “ Não . Obrigado “.Disse . Entrei e fui estacionar a frente do restaurante para me abastecer . Senti que a borracharia fedia a “picaretagem”.

Antes de entrar no restaurante ... ouvi alguém chamando :

- Senhor ... senhor por favor ,,, estou com um problema ... sou português e trabalho aqui no Brasil numa Empresa que me chamou urgentemente para voltar a Portugal ,,, e tenho que me desfazer de alguns relógios caros que não posso passar na alfândega de Guarulhos . Estou desfazendo  com 70 por cento de desconto . Vou lhe mostrar ...” , Disse o cidadão bem-vestido com sotaque português , quando o interrompi dizendo :

- “Vou mijar ,,, tenha boa sorte ! “... e entrei no restaurante.

Fui tomar meu café e fiquei observando o “português” , olhando em volta procurando outro “pato “ de cabelos grisalhos . Como não apareceu , o português entrou no carro “de aluguel” , parado ao lado do meu e foi para outro ponto do estacionamento .

Continuei a viagem e cheguei cedo no Rio . Pretendia visitar meu irmão por opção Russo , que estava em pane num hospital . Não pude visitá-lo . ficaria para o  dia .seguinte depois da Confraria. Naquela noite , no apartamento do meu filho fui surpreendido , com uma festa surpresa  ( não pra mim ) para uma família muito amiga da minha família. 

No dia seguinte saí com o Fubeca , com o firme propósito de chegar ao Piraquê e encontrar amigos e agradecer ao Monteiro. Não cheguei.

Na Elevado do Joá ,com trânsito intenso e rápido , sem acostamento , o Fubeca começou a falhar com alarme no painel. _” FALHA de INJEÇÂO  “. Continuei andando limitado a 40 km/hr sob muitas buzinadas com luz de alarme piscantes . Cheguei a São Conrado e parei numa sombra sob calor de mais de 40 graus. Não havia nada que pudesse fazer . Consultei o Google Map , onde era o posto de gasolina mais próximo . Era um Shell do outro lado da Autoestrada . Exigiria um retorno , cruzando uma passagem por baixo da autoestrada , em frente a entrada da” favela da Rocinha “.

Liguei o motor falhando e me desloquei a 40 km/hr... Contornei a torre do antigo Hotel Nacional ( onde havia organizado , em 1976 o Baile da Espada de formatura da minha Turma de Marinha. Naquele dia eu havia dançado fardado !). No cruzamento em frente ao acesso a Rocinha havia um sinal (semáforo para um paulista como eu ) para pedestres ,que fechou  no momento que estava sobre a faixa de pedestres. Não parei o carro que falhava aumentando o problema , pensando : -“ se parar aqui , em cima da faixa , creio que se continuar vivo ... ficarei , no mínimo , sem carro! “.
Cheguei ao pequeno posto Shell , lotado de carros e antes de desligar o motor , expliquei meu problema ao “simpático” frentista que já se aproximava me advertindo que , eu estava atrapalhando o movimento do posto. Fui indicado para uma “vaga” na calçada ,  fora do posto e pra lá me dirigi. 

O relógio marcava meio-dia , quando o frentista simpático se aproximou , com um rapaz com uma maquininha eletrônica para testar o meu problema de “INJEÇÃO de COMBUSTIVEL” ( segundo o alarme do Fubeca ).

- “ ... É a vela do cilindro 1 “ . Foi o “diagnostico “ da maquininha eletrônica “.

- “Precisa trocar as velas , já muito antigas “.  Foi a solução proposta . 

Aceitei e mandei trocar as velas . O posto não tinha as velas que deveriam ser compradas na loja mais próxima de São Conrado , no ... Leblon . Por 50 Reais , providenciaram um “motoboy” . 

-“ Não tem a vela original ! só outra melhor que custa uns “700 paus “. Posso comprar ? Foi o questionamento do motoboy ... no Leblon .

-“ Pode”. Foi o que me restou dizer .

Já era meio-dia e 30 min , quando as velas chegaram , foram instaladas . Dei partida e o motor pegou sem falhar . O alarme do painel continuava a dizer ; “ FALHA de INJEÇÂO “.

- “ É só fazer reset do alarme “ . Disse o homem da maquinha eletrônica. Executou o reset , paguei “800 paus” , via PIX da conta da EUMI SEGURA TUDO e sai feliz da vida para fazer o retorno próximo do posto para chegar ao Piraquê , ainda com tempo . ( só que não ).

Quando acelerei para entrar no ritmo do tráfego rápido ... Nova falha e de volta o alarme do fubeca : “INJEÇÃO de COMBUSTÍVEL”.

A história se repetiu , assim como o trajeto via entrada da Rocinha (falhando motor) para retornar ao mesmo posto Shell do simpático frentista , Quando cheguei os funcionários (e a maquininha eletrônica estavam em “ horário de almoço “, A minha vaga na calçada , ainda estava “vaga”, Menos mal.

Resolvi ligar para quem confio (estava cansado de ser ... enrolado). Liguei para o meu Filhão (pai da minha neta) e expliquei a situação . Enquanto aguardava o retorno dele , liguei para um irmão por opção de Marinha ( o Almirante Paulo Ricardo o PLI ). Havíamos almoçado no dia anterior num Shoping quando ofereci a ele carona de volta do Piraquê onde nos encontraríamos na Confraria.

-“ PLI ... deu ruim não poderei estar na Confraria . Agradece ao Monteiro por mim “.

Contei a situação e ele , que ofereceu ajuda  que agradeci e recusei . Ele não poderia fazer nada naquele momento . Atendi o celular da ligação do meu filhão.

O Denis me passou um número de reboque de uma oficina apontada por um amigo , entendido em negociações automotivas . Liguei 3 vezes e ninguém atendeu . Deixei recado e ninguém respondeu.

Meu filho consultou o Dr Google para informar o número de um reboque que estivesse mais próximo da minha localização .... e me informou o número do reboque e uma oficina próximo ao Cidade Jardim (condomínio que ele mora e onde eu estava instalado). Em 10 minutos o safo reboque independente estava colocando o fubeca na carroceria  e eu na cabine . Duante o trajeto até a oficina bati um bom papo com o “piloto do reboque”  atendendo o celular que não parava tocar , negociando atendimentos da Porto Seguro Seguradora  a qual ele (autônomo) era filiado. 

Chegamos a oficina recomenda pelo meu filho . Deixei o carro para análise  e fui a pé para o ap do pai da minha neta .

Conversamos sobre a situação da minha “farda “ que estaria na Av Brasil 10500, para ser testada as 09;30 horas do dia seguinte.( eu estaria a pé).

Meu filho em “home office” se ofereceu a me levar e me deixar lá para cumprir meu compromisso . Se demorasse , eu ficaria lá e voltaria de alguma forma (Huber seria era  opção. Não precisou) . 

A oficina me ligou dando conta do problema do carro . Era um dos 4 “bicos injetores de combustível do cilindro 1. Passou o orçamento que aprovei e aguardei a conclusão do serviço.

No dia seguinte , partimos para Avenida Brasil 10500 , endereço da BAMRJ ( Base de Abastecimento da Marinha no Rio de Janeiro )

Assim a internet descreve a Missão da DAbM (Diretoria de Abastecimento da Marinha ) instalada na BAMRJ .

A DAbM tem o propósito de contribuir para a superintendência das atividades de Abastecimento da Marinha do Brasil, a fim de prever e prover às OM da MB e aos Meios Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais, o material necessário a mantê-los em condições de plena eficiência, proporcionando o fluxo adequado do material, desde as fontes de obtenção, até as OM Consumidoras.



Chegamos na hora exata a portaria do Complexo . Havia um oficial superior (imediato do DepFMRJ) nos aguardando e nos conduziu a uma vaga previamente reservada em frente ao Depósito responsável pelo fardamento de toda a Marinha. 






Fui recebido formalmente pela Capitão de Fragata 
Comandante daquela unidade formada e acompanhada pelos seus oficiais . Após prestar os cumprimentos formais , reparei na plaqueta de identificação postada no seu uniforme que estava escrito “ CF LETÍCIA “. ( mesmo nome da minha neta Lelê ). 

Seria isso um presságio ? Não sei dizer . Veríamos .

Para não me estender em detalhes , acho que posso resumir dessa forma os momentos passados por mim e meu filho naquele ambiente profissional :

1 – vesti o uniforme jaquetão completo  sob supervisão de um alfaiate profissional que constatou pequenos ajustes necessários que seria executados , enquanto faríamos um tour pela unidade logística .

2- chegamos a um imenso centro de distribuição de uniformes , que comparei aos centros de distribuição da B2W ( que conheci nos meus tempos de aviação executiva ) que foi um dos maiores e precursor do “ e-commerce” (vendas pela internet) no Brasil . Ouvimos uma palestra da Empresa terceirizada pela Marinha , com demonstração pratica .Conclui que a Marinha não devia nada tecnologicamente aos sistemas logísticos mais modernos do mercado civil.

3- Chegou a hora do almoço e fomos convidados . Meu filho avaliou e concluiu que poderia fazer depois “horas extras” no seu “home office”, Fiquei feliz com a sua opção . ( eu não precisaria aceitar a oferta de condução da Marinha para me devolver a Barra da Tijuca ). 

4 -   Almoçamos junto a todos oficiais do Departamento . Me emocionei ao final e fiz um sincero agradecimento :

-“ Nunca fui tão bem tratado profissionalmente como hoje , Nem quando Comandei um Esquadrão de Helicópteros da Marinha . Obrigado a todos Intendentes da Marinha . Sem logística EFICIENTE como a nossa  , não existe Força Armada Operativa que ganhe qualquer GUERRA . Isso é histórico. Obrigado em nome do Brasil .”

Segurando as lágrimas recebi  a minha farda para dançar valsa com a minha neta , me despedi orgulhoso e voltamos para a Barra .

Ao chegarmos , meu filho se trancou para trabalhar. Eu recebi a notícia que o “fubeca” só ficaria pronto na segunda feira . ( a oficina dependia da chegada do bico injetor e não trabalhava no sábado ). Teria um final de semana a pé , na Barra da Tijuca .

Recebi a boa notícia que meu irmão por opção Russo havia melhorado e deixado o hospital. Programei uma visita que foi ótima . Ele estava melhor e mais alegre supervisionado pela “  Leoa Cristina “ (esposa dedicada do Russo ).

Recebi visita da minha querida filhota , agora “jubartemente” tatuada no antebraço . São os novos tempos !

Segunda feira o “fubeca “ ficou pronto “. Paguei um preço justo pelo serviço via PIX (com desconto honesto) e na madrugada parti de volta para casa .

Cheguei cedo em casa . O Careca também já esta “curado” ( a EUMI SEGURA TUDO entrou em atividade de novo via PIX  honesto) . A dupla “ Careca e Fubeca “ já estava reunida . (novos de novo .)

Agora é só aguardar o epílogo desta série ... que será contada  no episódio 3 

O Vovô da Lelê ... contará a história final .

O Pirata agradece a Marinha e a todos que foram citados e aos não citados nominalmente que agradecerei formalmente ao término da série .


1976

Aprendiz de Pirata conhecendo o CENTRO NAVAL de SUPRIMENTOS da Marinha para publicação na Revista 

 A GALERA 

n° 126 - DEAZEMBRO de 1976

Assim contaram os Aspirantes Sergio Henrique e Muiraquitá  naquele ano :




( profética reportagem há quase "meio século " )



Queridos (e pacientes) leitores  Fiquem em PAZ .

NAMASTÊ  🙏.... do Vovô da Lelê


quinta-feira, 13 de março de 2025

Veterano ...e o "Debut" da Piratinha ( episódio 1)

 


 Amigos da Pirataria Alada .... meu cordial "Seja Bem-vindo(a)" a este descompromissado espaço literário amador.

"Debut " assim é definido na internet :
Uma apresentação formal de uma debutante para a sociedade em algumas culturas

A Piratinha Lelê, há 15 anos , no dia 19 de março "debutou" na vida. Aquele dia transformou , radicalmente,  a vida deste Pirata que voz fala.

 Para contar esta estória , pedirei ajuda dos meus "Avatares " : o milicão da Marinha, Comandante Barreira , o Piloto sério de Off Shore  José Barreira  e o Veterano Zé Barreira (por recomendação do meu terapeuta de cabeça , o já famoso Dr Eumi).

" Avatar" assim é definido na Internet :
Processo metamórfico; transformação, mutação

Introdução  – Marinha e a netinha Lelê 

Para contar esta história  ( muito particular) preciso contar a razão de publicá-la .
 A MARINHA teve ( e tem até hoje) uma influência intensa neste relacionamento entre Avô e neta ...ao longo de todos esses anos. Assim sendo é uma questão de Justiça  , reconhecer esse fato . Aos caros leitores aviso que esta história é um pouco longa . Assim sendo vou contá-la em partes .

Tudo iniciou assim, há 25 anos.

Este é o prédio  do 8 DN (Distrito Naval em São Paulo).
Este quadro me foi presenteado pelo Almirante Janot , que era o Comandante do Distrito Naval no ano 2000.
Naquele ano eu passei para  a reserva da Marinha , quando fazia parte do projeto do Submarino Nuclear .( era Superintendente Administrativo no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo ).

O Almirante Janot , resolveu fazer uma cerimônia para minha despedida quando me presenteou com esse quadro. No discurso de despedida o Almirante disse :


 -" Comandante Barreira. Este quadro resume a tua vida na Marinha. 
Ao fundo a sua cidade , onde nasceu , fez o concurso para entrar e onde está se despedindo da Marinha.
Este prédio,  foi projetado por alguns Engenheiros que nos últimos 2 anos foram seus subordinados...e fazem história desenvolvendo " alta tecnologia nuclear “ para o nosso país ser respeitado internacionalmente.
Esta foto foi tirada no dia que o heliponto deste  prédio foi inaugurado pelo Super Lynx com você no Comando, quando era o Comandante do Esquadrão de Helicópteros de Ataque, mais moderno que a Marinha já teve.
Parabéns pela sua carreira .
Seja feliz na vida civil."

O Almirante foi profético naquele dia. Fui .. e continuo sendo feliz na vida civil . Ele só não sabia ( e nem eu , que só descobri agora )....que o dia , em que a foto foi tirada está datada pela máquina que foi usada para tirar a foto...no canto direito inferior da foto .... que ampliei.  👉

19 / 03 / 98
 ...no 8°DN próximo do Hospital São Luiz em São Paulo , capital.



PARTE 1  - Fim da Pirataria Alada (ativa)

Há 15 anos, em março, a pirataria alada estava... intensa ( como já tive oportunidade de descrever em vários posts deste Blog). Já havia vivido muitas estórias em torno do mundo inteiro , voado muito e navegado mais ainda . Realizado com as experiências profissionais vividas (militar e civil pelos 7 mares)...o Pirata Alado estava cansado por vários motivos. Essa vida de aventuras tinha cobrado um alto preço..., o distanciamento familiar. 


No dia 19 de março de 2010 , me encontrava em São Paulo depois de uma temporada longa pela Ásia e Oceania, onde uma série de problemas de relacionamento com a nova tripulação estrangeira, a bordo da Nau Karima havia ocorrido. Naquele dia , um fato novo ocorreu : Nascimento da minha neta Piratinha Lelê ( no Hospital São Luiz ) . Quando a peguei nos braços (pela primeira vez) percebi que a pirataria estaria tomando novos rumos. Mesmo assim , orgulhoso  (mesmo sabendo que não seria bem aceito) a batizei mentalmente de “ Lady Lelê “. A minha netinha pirata nasceu linda , deslumbrante e iluminando a minha futura existência. Depois disso voltei a Nau Karima outras vezes que agora permanecia do outro lado da Terra , cumprido missões em vários países asiáticos  culminando com a Austrália no final daquele ano de 2010.
 Foi um ano muito intenso de exóticas missões , e longas viagens aéreas nas poucas oportunidades que tive , entre São Paulo e o resto do mundo. 



Quando em São Paulo , por vezes meu filho e minha nora nos convidavam (Pirata e Sereia) , para  passeios gastronômicos pelo Itaim , desfrutando dos deliciosos cortes argentinos nos restaurantes portenhos próximos . Eu adorava esses programas porque não aguentava mais comer carne de “lamb” a bordo da Nau Karima....mas o melhor do passeio era quando a Lady Lelê se aninhava no meu antebraço agarrada que nem “ bicho preguiça “ (não há tesouro pirata que compense esses momentos ).
No final do ano , as coisas mudaram. Meu filho decidiu mudar de atividade profissional e se transferir  para o Rio de Janeiro . Eu , a bordo da Nau Karima ,estava na Austrália com uma , cada vez maior , dificuldade de conviver com a tripulação estrangeira e com cada vez mais saudade da piratinha Lady Leticia.
A hora de tomar uma decisão chegou. Pedi demissão . A vida de Pirata Alado ativo estava chegando ao fim. O Pirata Alado passou a existir apenas como Blogueiro Filosófico, convivendo um pouco mais com a netinha ... Lelê !



Profissionalmente , me dediquei a ajudar a Sereia e o sócio Marcelo na atividade comercial  , o Mar Café Auto Park. Era minha academia de ginastica lavando e manobrando  carros , além das longas caminhadas meditativas pela minha praia de Santos.





 


Nos finais de semana me dividia entre Rio de Janeiro e meu “Paraiso Perdido Rancho Aquarius” , em Pilar do Sul . Considerei que com a experiência de voo sobre a Nova Zelândia poderia pôr em pratica uma criação de “lamb” (mais conhecido por aqui como “carneiros” ). Essa atividade rural poderia progredir considerando que as terras em Pilar do Sul eram semelhantes as da Nova Zelândia (em extensão e condições climáticas) ...além da minha netinha adorar os “bichinhos caprinos” e a " Mel " ( Yorkshire Terrier dela )




Sentia saudade dos voos , quando recebi uma proposta para voltar a voar profissionalmente , agora comercialmente no Off Shore, no regime 15 dias trabalhando X 15 dias livres . Adorei a proposta e aceitei na hora. A Piratinha neta e toda família , me teriam por perto (no Brasil) por pelo menos 15 dias por mês. Seria perfeito ! (só que não ), 
Para contar a parte 2 da estória , vou chamar o Avatar José Barreira  (piloto sério de Off Shore) para continuar . O piloto executivo Pirata Alado (aposentado) só passaria a se dedicar a contar estórias no Blog .

PARTE 2 – A Aviação Comercial.


Me apresentei no Rio de Janeiro na sede da Empresa Off Shore. Fiquei feliz porque a sede era na Barra da Tijuca , próximo ao Aeródromo de Jacarepaguá (meu velho conhecido de tantas estórias , militares e executivas )  e próximo a minha netinha (agora se “acariocando” como moradora da Barra).
Assinei o contrato , e fiquei sabendo que voaria um helicóptero tipo EC-135 ( que em 2008 negociei , em nome do patrão) com EUROCOPTER  a aquisição de um dos modelos que viria a operar a bordo da Nau Karima , pilotado pelo Pirata em condições “ IFR single pilot” (voo por instrumentos , mono pilotado) pelo mundo. A negociação não se concluiu em 2008 por culpa da aquisição da “ Bud “ (como já foi descrito em post próprio neste Blog).


A primeira surpresa “comercial” foi quando constatei no contrato que seria um “PC” (piloto comercial que voaria como copilo , não como PLAH ( comandante de aeronave) como indicava a minha licença de voo nacional ( CANAC ) , assim como a internacional ( DCA – Bermudas) . As explicações que me foram apresentadas , foram de que as minhas horas de voo executivas não seriam consideradas , apenas as horas de voo militares (o que já seriam suficientes ). Tudo bem ! (engoli o primeiro “sapo” , porque afinal estaria perto da minha netinha ) . Fiz todos os cursos e exigências burocráticas necessárias, além dos “checks” em simuladores no estrangeiro (de qualidade inferior aos que fazia como piloto executivo ) e fui enviado para voar no ...Nordeste ( longe da minha netinha ). 

Os 15 dias de folga prometidos ... eram consumidos com burocracia e treinamentos teóricos ( os sapos engolidos se avolumavam) .


As “quinzenas “ nordestinas eram agradáveis . Lindas paisagens , poucos voos curtos , muitos relatórios estranhos. Um para ANAC , um para a minha Empresa e outro para a PETROBRAS,  contratante da Empresa ( para a qual eu era . naquela época. funcionário ). Por vezes eu era enviado para fazer quinzena em Macaé , próximo ao Rio de Janeiro ( mais próximo da minha netinha e eu adorava ). Em Macaé os voos eram mais longos e meio impróprios para o Tipo da minha aeronave , pela restrita autonomia e condições climáticas adversas sem piloto automático (as vezes noturnas) . Tudo bem , porque na Aviação Executiva voei muito nestas condições sem nenhum problema...mas na Comercial ?... me parecia estranho... mas eram apenas alguns “sapos” a mais para  serem engolidos.
 Em 2014 , a situação política no Brasil estava degradando. Havia uma Presid´Anta que acabou sendo “impichada” e um EX-PRESIDENTE que acabou sendo preso por irregularidades usando a Empresa contratante da minha Empresa Offshore . 

Nesse período fui deslocado para fazer uma missão “ On shore  política " , em São Paulo. Lá chegando percebi que os clientes (políticos) não tinham a menor ideia das limitações da minha aeronave e tentaram me “impor” voos pouco recomendáveis  pela segurança , quando impus as regras necessárias para a realização. Eles não gostaram e desistiram do voo. Eu adorei ter voado de novo na minha terra paulistana . Foi um passeio agradável ... com combustível bancado pelo dinheiro público . Voltei mais pesado pela quantidade de sapos ingeridos.



2015 chegava ao fim com minha netinha alegre curtindo o vovô em Santos e no Paraiso Perdido de Pilar do Sul (que um dia seria dela também). A criação de carneiros consumia altos investimentos mas não produzia resultados compensadores por falta de gerenciamento local compatível com o objetivo comercial mas minha netinha curtia e se divertia . 

Eu , o José Barreira ( piloto sério de Off Shore ) apresentava sintomas de congestão por excesso de sapos ingeridos na atividade comercial . A empresa resolveu me “promover” depois de 5 anos . Para tal teria que me qualificar em outra aeronave (que já havia voado na Aviação executiva e que a ANAC não aceitou )..teria que depois de requalificado , voltar a voar de “copiloto” sob Comando de pilotos que eu não confiava ( era sapo demais para ser engolido). Desisti da promoção . Acabei sendo demitido , “justa e legalmente “ , por não compartilhar a “filosofia empresarial” ... da minha Empresa . 
Resolvi que estava na hora de encerrar a atividade profissional aérea ,  para me dedicar integralmente as atividades familiares.  Tive proposta de continuar voando em outra Empresa Off Shore , mas já estava cansado aos 61 anos de ser piloto comercial e suas “fazendas de sapos “ para serem engolidos.
A prioridade agora era a Família onde não haveria “sapos” (...só no Paraiso Perdido de Pilar do Sul  e que eu não sabia !).
Essa nova fase vou convidar o meu Avatar “ Veterano” para contar essa história 

Caros leitores 
Se gostaram deste episódio 1 da série , siga me seguindo. O episódio 2 está no forno
 
Sinto - me honrado com sua leitura. 
Até  breve
Um beijo do coração